sábado, 28 de outubro de 2017

Que Tristeza!

 





Um destes dias fui a uma repartição pública nas imediações da Av 5 de Outubro em Lisboa, mas como cheguei cedo, enquanto esperava, resolvi tomar uma "bica" numa esplanada.
Normalmente não sou muito observadora mas, a certa altura, comecei a reparar num número significativo de idosos que, sozinhos, passeavam para um lado e para outro, com ar solitário.
De todos eles, o que mais me despertou a atenção foi uma senhora, não muito idosa, que passou perto, para cá e para lá, umas seis vezes. Numa delas entrou no café, demorou-se o tempo de tomar qualquer coisa e saiu, mas ficou no passeio com ar de quem não tinha nem sabia para onde ir!
Entretanto passou uma senhora com um cão - parece que um grande benefício do passeio de caninos é as pessoas terem com quem falar  e sobre que falar - e a dita idosa fez uma "festinha" ao cão e "meteu conversa", mas aquela não se mostrou receptiva e seguiu. A pobre senhora idosa, com ar de quem precisava de falar com alguém, de sentir o calor humano de uma simples troca de palavras, sem o conseguir e com o olhar triste acabou por se ir embora.
Como esta parte da cidade é considerada uma zona de pessoas com bom nível de vida, depreendo que estes idosos devem ser aposentados sem terem que fazer e sem terem com quem falar e, portanto, deambulam sozinhos para não estarem fechados em casa.
Mais sorte têm os idosos das aldeias, de vilas ou pequenas cidades, que se juntam num simples banco de jardim ou em jardins públicos com mesas e cadeiras para o jogo das cartas, para uma cerveja em grupo, ou simplesmente para uma conversa frívola, mas que serve para manter a sanidade mental.
Desde então não paro de pensar nestas imagens!
A que sociedade chegámos!
O que fizemos aos avós que eram o suporte dos netos e agora não têm o suporte de ninguém!
Vegetam solitários até à morte!
Alguns ficam solitários mesmo na morte!


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