segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Risota ...






Lembram-se da altura em que apareceram os primeiros telemóveis? Viam-se as pessoas na rua, em geral paradas, a falar e a gesticular como é próprio dos latinos, e quem olhava, por ainda não conhecer a nova tecnologia, ficava com a sensação de que os gesticulares não deviam estar bem da cabeça, coitadinhos, pois falavam e gesticulavam sozinhos.
Ora, há poucos dias, também eu fui protagonista de uma cena semelhante.
Como os dias têm estado solarengos, e antes que venham as chuvas que não nos deixam sair de casa, vou passear e aproveito para me sentar e ler um bocado.
Num desses dias, instalei-me numa esplanada  a reler o livro  "O Memorial do Convento", que foi prémio Nobel da Literatura em 1998, e do qual já não me lembrava muito bem.
Comecei a leitura e a narração ilariante de uma época histórica que deu origem à construção do palácio de Mafra, fez-me rir - não sorrir - mas rir a bom rir.
Imaginem-me sozinha a ler e a rir cada vez mais!
Como o sol se reflectia da mesa de metal e me encandeava um pouco, pousei o livro para minimizar o incómodo e, não sei porquê, olhei para o meu lado direito e então vi um casal sentado numa mesa a olhar para mim, com ar de quem me achava maluquinha por rir daquela maneira ao ler o livro.
Escusado será dizer que achei tanta graça ao ar espantado do casal, que me virei para o lado contrário e ainda ri com mais gosto.
Calculo que devem ter achado que tinha perdido o juízo de todo, mas eu não me importei absolutamente nada.
Afinal rir faz bem à alma e, diz-se ... tira as rugas!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Ser Amigo




    



                                             Para teres amigos
                                             não precisas ser perfeito.
                                             Para teres amigos
                                             não precisas ocultar-te.
                                             Para teres amigos
                                             só precisas ser sincero
                                             e alguma mão tenderá a amparar-te...

                                                                                                                     Anónimo
                                                                                                                   

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Culpado?



                            Adão




O que se está a passar no mundo faz-me pensar e, ao mesmo tempo, sorrir porque, mais uma vez, chego à conclusão que a fábula de La Fontaine sobre "O lobo e o cordeiro", é uma metáfora para o que se passa actualmente no mundo.
Todos estamos chocados e preocupados com os atentados que tem havido na Europa, e a seguir com a retaliação nos povos onde se supõe estarem os responsáveis  pelos morticínios.
Ou seja, são postas bombas nos países do ocidente, em lugares públicos, onde morrem centenas de inocentes, com a desculpa de que os governantes ocidentais têm atitudes que levam os terroristas a estes actos. Mas estes governantes estão bem protegidos e nada sofrem.
A seguir, estes dirigentes, indignados, retaliam e seguem-se bombardeamentos nos países do leste, onde também morrem centenas de inocentes.
Claro que, quem iniciou o "jogo",  também está a salvo, algures. E andamos há séculos neste jogo de "a culpa é tua e agora eu puno-te", com milhares de pessoas a morrerem e os responsáveis, bem instalados, a jogarem com as marionetes - que são os povos - com a mesma desculpa usada pelo lobo, quando quer comer o cordeiro - a ofensa feita pelo pai do pobre cordeiro, ou de outro familiar mais distante.
 Ora hoje em dia, em que todos se culpam mutuamente, era interessante averiguar qual dos nossos antepassados foi o primeiro a praticar o acto criminoso da matança dos seus semelhantes e, tenho a certeza, que se chegaria à conclusão que o único homem que pela primeira vez matou, sem ninguém o ter  ameaçado, anteriormente, foi Adão, por ser o primeiro homem que existiu.
 Afinal Adão é o único culpado por milénios de mortandade ! Ninguém mais é responsável!
 Todos os que têm poder para mandar matar populações inocentes, "não devem ter problemas de consciência", pois "a culpa é de Adão"! 


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Vídeo de Marques Pereira

                                         
Triste, com a alma cansada?


Se quiser uns momentos de deleite, ouça este vídeo.



https://www.facebook.com/marcospereira1010/videos/937764516289611/

POEMAS



Dois Poemas de Sofia de Mello B. Andresen


                                                                                  

I


 





II








quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A Grande Descoberta












Sempre ouvi dizer, desde que o meu entendimento começou a despertar, que o Inferno existe pois é para lá que vão os pecadores.
Também sempre ouvir dizer que o Inferno fica "lá em baixo", por oposição ao Céu que fica "lá em cima". Nunca consegui perceber onde ficava o "lá em baixo".
Quando aprendi que a terra era redonda, este problema complicou-se, pois não há "abaixo" nem "acima". Mais tarde, enquanto estudante, esta dúvida pareceu esclarecida quando me falaram de Dante e da Divina Comédia e dos três níveis aí descritos - Inferno, Purgatório e Céu - os dois primeiros com vários patamares de expiação e  o Céu, o local da bem-aventurança. Pensei então que os dois níveis de expiação ficariam no Centro da Terra e o Céu seria para além das nuvens.
Passaram-se os anos, as dúvidas ficaram no limbo da memória devido à lufa-lufa do dia a dia, e agora que tenho tido tempo para me dedicar aos mistérios que envolvem a humanidade e o mundo em geral, surgiram as dúvidas antigas.
Hoje, mais uma vez observando o mar, fiz a "Grande Descoberta", o que não admira pois sou descendente dos grandes descobridores portugueses dos séc. XV e XVI - como sabem foram os primeiros europeus a chegar à Índia, ao Japão e às ilhas do Pacífico, depois de rodearem, por mar, toda a costa de África.
Qual foi a grande descoberta?
Que o Inferno e o Purgatório não se encontram no interior da Terra mas na superfície. E o mais grave, é que foram os humanos que o inventaram, o alimentam e continuam a adorá-lo!
Temos todas as provas de que o Inferno se situa, sobretudo, em África e no Extremo Oriente, onde o sofrimento é indiscritível, "a ferro e fogo", como Dante descreveu, e o Purgatório nos outros países do Segundo e Terceiro Mundos, onde as pessoas continuam a sofrer sem conseguirem vislumbrar o Céu.
E os habitantes do Primeiro Mundo, os grandes magnatas, será que vivem no Céu, ou também vivem no Purgatório, com pavor de que as suas grandes fortunas ruam devido aos altos e baixos das Bolsas que dominam o Mundo dos Negócios?
Não sei se esta minha "Grande Descoberta" me dá direito a receber um Prémio Nobel, mas não
deixa de ser muito importante!
















domingo, 8 de novembro de 2015

O Subconsciente e a Internet














 
 
Há pouco tempo que navego na internet, mas nestes seis meses já consegui encontrar umas centenas de amigos e alguns seguidores das minhas estórias, e tanto a uns como a outros aqui deixo o meu reconhecimento.
Claro que deles só sei o que eles mostram - as fotos, como todos sabemos, podem ou não corresponder à realidade; no que respeita ao que é publicado, podemos vislumbrar algo sobre a pessoa com quem interagimos. Mas só vislumbrar, porque a realidade pode ser bem diferente.
O que acabo de dizer já toda a gente sabe e melhor do que eu, mas apesar de sempre ouvir dizer que na Net "o que parece nem sempre é o que, de facto, parece" estes comentários tornam-se ecos que se perdem na azáfama do dia-a-dia.
Ora acontece que um dos meus vários amigos, na altura da aceitação do pedido de amizade, no seu perfil, tinha uma foto muito engraçada que, subconscientemente, me levou a formar uma imagem sobre a sua pessoa - um jovem brincalhão, um pouco irreverente, pois só isso explicava o facto de gostar das minhas estórias.
Algum tempo depois constactei que esse meu amigo afinal não era o jovem que a minha mente imaginara, mas um adulto muito mais velho. No entanto a imagem primeira foi a que prevaleceu. Apesar de saber a idade real deste amigo, sempre contactei com ele com base na impressão subconsciente que tinha na mente e continuo a vê-lo dessa maneira, tal como uma mãe vê num filho crescido, o "seu menino", e mesmo depois de ele se tornar um homem maduro, continuar a preocupar-se como se ele fosse pequeno.
Perante esta minha experiência, penso que o nosso subconsciente nos prega partidas interessantes e que, mesmo perante a realidade, continua, teimosamente, a albergar imagens e sentimentos que já deviam ter desaparecido.
A Internet pode levar a este tipo de situações bizarras que, com a razão e com tempo, podem ser controladas, mas com outros tipos de tecnologias avançadas, o nossa racionalidade conseguirá competir com o subconsciente?






segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O Povo Escolhido

          Jardins Suspensos da Babilónia









       

                         Colosso de Rodes
                


Adoro ler livros históricos sobre  todos os povos que existem e existiram mas, claro, tenho uma grande predilecção pelas culturas mais antigas e que mais sobressaíram no aspecto cultural, arquitectónico e filosófico.
Quem não fica maravilhado com as descrições épicas da Antiguidade e com os monumentos fantásticos que foram construídos e com os quais ficamos perplexos e emocionados?
É nestas ocasiões que me ponho a cogitar.
Um grande músico, um grande compositor, filósofo ou cientista, seja de que era for é sempre considerado um "ser especial", um "escolhido. O mesmo podemos dizer dos povos da antiguidade que, pela sua cultura, se destacaram de todos ou outros de maneira espantosa. Tinham um "dom", eram os "escolhidos".
Em comparação com esses povos de culturas superiores podemos afirmar, sem exagerar, que todos os outros mal tinham saído da barbárie.
Agora põe-se a questão: os povos que se destacaram eram escolhidos por quem?
Embora estes povos, tão avançados em relação a todos os do seu tempo, nunca tivessem afirmado, ou nunca tivessem sequer posto esta pergunta, sabemos que acreditavam que foram os seus deuses que lhes transmitiram tão grandes conhecimentos.
Com o desaparecimento destas culturas desapareceram os seus deuses.
Séculos depois, as principais religiões hoje conhecidas e de inspiração judaica começaram a ensinar que somos descendentes de Adão e Eva, os quais foram criados por Deus e, como tal, todos os seus descendentes são "criaturas" de Deus.
 Ora, em todos os descendentes há os que são bons e os que são menos bons. Há os espertos e os menos espertos, mas todos são igualmente aceites no seio familiar e, apesar da nossa condição humana, acarinhamos os mais dotados, mas também os menos dotados, não os banimos,  não os tornamos proscritos.



Como estas religiões maioritárias afirmam que o "povo escolhido por Deus", há alguns milhares de anos, é o povo de "Israel", isto quer dizer que esses poucos milhares de pessoas, ignorantes na sua maioria,  foram "escolhidas", em detrimento do resto da humanidade?
Mas esse povo, o povo de Israel, foi escolhido porquê?
Então Deus renegou e ignorou "todas as Suas criaturas do globo terrestre", inclusivé os seres com mentes especiais e culturas especiais, para se dedicar, exclusivamente, ao bem-estar dos judeus?
Isto faz algum sentido? Que Deus faria isto?
Ou os antigos  patriarcas judeus, devido aos anos ou séculos de escravidão e para mitigar o infortúnio  deste povo,  num acto de desespero, inventaram um deus à sua imagem, tendencioso e cheio de defeitos?
Deus existe mas "não poderia escolher povo nenhum" porque todos somos obras Suas.
 "Todos somos o Seu Povo" e só temos que merecer e agradecer a nossa existência.