Lembram-se da altura em que apareceram os primeiros telemóveis? Viam-se as pessoas na rua, em geral paradas, a falar e a gesticular como é próprio dos latinos, e quem olhava, por ainda não conhecer a nova tecnologia, ficava com a sensação de que os gesticulares não deviam estar bem da cabeça, coitadinhos, pois falavam e gesticulavam sozinhos.
Ora, há poucos dias, também eu fui protagonista de uma cena semelhante.
Como os dias têm estado solarengos, e antes que venham as chuvas que não nos deixam sair de casa, vou passear e aproveito para me sentar e ler um bocado.
Num desses dias, instalei-me numa esplanada a reler o livro "O Memorial do Convento", que foi prémio Nobel da Literatura em 1998, e do qual já não me lembrava muito bem.
Comecei a leitura e a narração ilariante de uma época histórica que deu origem à construção do palácio de Mafra, fez-me rir - não sorrir - mas rir a bom rir.
Imaginem-me sozinha a ler e a rir cada vez mais!
Como o sol se reflectia da mesa de metal e me encandeava um pouco, pousei o livro para minimizar o incómodo e, não sei porquê, olhei para o meu lado direito e então vi um casal sentado numa mesa a olhar para mim, com ar de quem me achava maluquinha por rir daquela maneira ao ler o livro.
Escusado será dizer que achei tanta graça ao ar espantado do casal, que me virei para o lado contrário e ainda ri com mais gosto.
Calculo que devem ter achado que tinha perdido o juízo de todo, mas eu não me importei absolutamente nada.
Afinal rir faz bem à alma e, diz-se ... tira as rugas!















