A 1ª voz que se levantou e denunciou a vida miserável e ignóbil dos operários e operárias do "Período Industrial" e de todo o povo em geral, foi a desta mulher que tem sido ignorada!
Quem já ouviu falar dela?
Flora Tristán, francesa de nascimento, filha de pai peruano e mãe francesa, viveu uns escassos 41 anos, mas viveu-os intensamente.
Foi o pesadelo do governo francês e suas instituições policiais do início do séc. XIX, pois ela, sozinha, numa "demanda" humanitária, por todos considerada loucura utópica, nunca vacilou!
Em Londres - a cidade mais industrializada do mundo - depois de ter visitado as oficinas de todos os ofícios aí existentes e todo o Bairro Leste" , o bairro dos miseráveis, onde se acumulavam pobres, bares degradados, prostitutas e crianças, com porcaria por todo o lado, todos de uma promiscuidade e probreza física e social extremas, esta mulher destemida, horrorizada com o que observara, decidiu começar uma luta contra esta miséria humana.
Escreveu o livro "União dos Operários", que seria a "bíblia" do seu movimento humanitário pelos direitos de justiça social e igualdade de direitos para as mulheres.
Para Flora a origem do grande problema social era a injustiça da condição feminina. Ela afirmava que "a situação das mulheres era devida à aceitação do falso princípio de que a mulher é inferior ao homem, discurso propagado tanto pela lei, como pela ciência, como pela religião, ao serviço das classes dominantes e que fez da mulher a escrava do seu amo-marido".
Decidida a modificar esta situação humilhante, tanto para a mulher como para todos os operários que eram obrigados a trabalhar em antros infectos, durante 18 horas e mais - homens, mulheres e crianças - e com salários miseráveis, em Abril de 1843 decidiu percorrer o Leste e Sul de França e fazer reuniões de operários onde, sozinha, expunha a sua "doutrina de emancipação dos pobres".
Imaginem a incrudelidade dos próprios operários perante esta mulher que os intimidava com argumentos que os baralhava e com promessas que os aturdia!
Imaginem o "calvário" que suportou devido às autoridades do reino que a perseguiam, a ameaçavam com a prisão, os vexames e as difamações que espalhavam para a vergar!
Em Novembro de 1944, doente e esgotada por este esforço hercúleo, faleceu, mas o fruto que espalhou nestes poucos meses germinou.
Em todas as cidades onde expôs os seus ideais de uma sociedade justa, conseguiu formar "comités" de operários seus seguidores que, a pouco e pouco, foram consciencializando os colegas de trabalho e minando o sistema.
Mais tarde, já depois da sua morte, Karl Marx, o pai do comunismo, reconheceu que Flora Tristán foi a "PERCURSORA DE ALTOS E NOBRES IDEAIS".












