domingo, 27 de dezembro de 2015

A Todos Os Cozinheiros E Chefs: O Meu Apoio












Hoje, pensando na noite de Ano Novo e nas pessoas que vão fazer a sua festa em hotéis, restaurantes ou casinos, com direito a ceia - ceias especiais - e pensando no trabalho dos cozinheiros e chefs  para satisfação de quem paga, lembrei-me de um programa  de televisão sobre receitas e ornamentação dos pratos, dos vários que são apresentados em inúmeros canais.
Já foi há algum tempo, mas lembro-me perfeitamente, não da receita, mas da trabalheira que o chef teve para elaborar a apresentação do pitéu.
Para mim, foi um tempo infinito, mas o resultado era uma obra de arte e o chef estava, e com razão, orgulhoso da sua obra.
O prato foi levado para a mesa e o cliente, homem para o gorducho, pegou no garfo e na faca e, para meu espanto, cortou em cruz aquela obra de arte e começou a comer. Quando eu vi aquela "brutalidade", senti uma dor no estômago, como se a obra fosse minha e tivesse sido vandalizada.
Penso que nem toda a gente actuará da mesma maneira e que, pelo menos, aprecie a arte dos cozinheiros que se esforçam para confeccionar um prato saboroso mas também artístico.
A todos os que na passagem do ano tiverem como missão satisfazerem a fome ou a gula dos clientes, desejo um bom trabalho e um Bom Ano.









quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Semelhanças - As Formigas E Os Humanos









É interessante constactar as várias coincidências existentes no nosso planeta.
Há dias, num comentário televisivo sobre a  ordem social das formigas, o estudioso desta comunidade afirmava que as formigas têm uma hierarquia social semelhante à hierarquia social dos humanos, perfeitamente regulamentada geneticamente (a das formigas) e perfeitamente eficiente; por isso é o animal mais bem sucedido da Terra.
Curiosamente, lendo um livro que nada tem a ver com o estudo dos referidos insectos, mas com o relato de um episódio que tanto pode ser de épocas passadas como dos dias de hoje, o autor faz o paralelismo entre o trabalho das formigas e o que se passa no trabalho da construção civil - mas que poderemos comparar com outro qualquer - onde  os operários (até os nomes coincidem) tal como as formigas operárias, carregam, com muito esforço, os materiais necessários de um lado para o outro, que depois são levados por outros operários para um outro local onde, por sua vez, outros mais especializados os trabalharão e que depois serão colocados ou utilizados por outros operários ainda mais especializados. Ou seja, os materiais vão passando de mão em mão até à fase final, tal como acontece com as formigas que vão passando umas às outras, também com muito esforço, tudo o que encontram no exterior do formigueiro até à sua colocação definitiva no seu interioir.
Mas estes pequenos animais, conseguem que o seu esforço seja coroado de êxito em benefício de toda a comunidade, pois o formigueiro fica abastecido para a época invernia.
Com os  operários humanos isso já não acontece, porque o que carregam não é para proveito da sua comunidade, mas de uma comunidade da qual eles não fazem parte, não ficando com os "seus formigueiros" abastecidos para a época de privação .... e terão muita sorte se não passarem fome.












terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O Café - Nosso Amigo















Gosto muito de café. Quem não gosta?
Há quem afirme que é a bebida que mais se bebe no mundo inteiro.
No Séc. XIX tornou-se a bebida de eleição dos intelectuais elegantes europeus que, para desfrutarem desta bebida saborosa e em moda, se juntavam nos Cafés e aí debatiam as suas ideias literárias, artísticas, políticas etc. - as famosas Tertúlias.
O primeiro "Café" público foi inaugurado em Londes - o Café Royal" e que também era frequentado pela aristocracia. A seguir foi Paris a aderir à moda, também com a aristocracia a frequentar estes cafés sumptuosos, além dos intelectuais.


                       Londres                                                                               Lisboa















Portugal, claro, também aderiu à moda, e o Café mais emblemático, por ser frequentado pelos intelectuais da época e ser de um luxo a que os portugueses não estavam habituados, foi o Café Marrare -  invocado por Eça de Queirós no seu romance "Os Maias" - e hoje chamado A Brasileira do Chiado.
Como homenagem à época e a um dos seus frequentadores ilustres, já há alguns anos que podemos "encontrar" Fernando Pessoa na esplanada, bem instalado à mesa com a sua chávena de café.
Mas o melhor de tudo é que esta bebida indispensável é um bom estimulante do organismo, previne muitas doenças, dá-nos bem-estar e não tem as desvantagens dos outros estimulantes conhecidos que, ao contrário do café, são prejudiciais à saúde.
Além disso é a bebida predilecta quando encontramos um amigo que já não víamos há meses ou anos e a quem condivamos para um cafèzinho, enquanto desfiamos memórias passadas.
E amigos leitores .....vai um cafèzinho?

























sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

FRASES SÁBIAS




    
    Todos sabemos que o bem e a felicidade não duram muito -
    mas não damos por eles quando vêm, 
    não os vemos quando estão, 
    só damos pela sua falta quando já partiram ...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Ontem E Hoje (Sermão de Stº. António Aos Peixes)






Hoje, se houver entre os meus amigos leitores, algum ou alguns que têm como missão aconselhar, ensinar, educar, digam-me:
Nunca se sentiram como Stº António quando  "pregou aos peixes", através do grande pregador do séc.XVII, Padre António Vieira?
Eu, senti-me e continuo a sentir-me como ele, ou seja, a "pregar aos peixes", mas o pior de tudo é que, na nossa sociedade, estes "peixes" não só não ouvem, como não querem ouvir e nem sequer levantam as cabeças para ver quem fala, enquanto que o santo conseguiu a atenção dos peixes e conseguiu que eles o ouvissem.
O que afirmo aplica-se a todas as  idades e camadas sociais.
Só há um "sermão" que é ouvido: o da tecnologia que é cada vez mais sofisticado, mais desejado, mais utilizado, até à absorção quase total da disponibilidade diária que deveria ser dedicada a outros deveres laborais e familiares e que ficam completamente descurados.
Aqui os peixes não precisam de sermão, porque mesmo sem olharem continuam a ser pescados nas malhas alucinantes da modernidade.
Afinal, o célebre verso "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" ficou desactualizado, porque o mundo muda ... mas as vontades continuam iguais - inertes!




   

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Risota ...






Lembram-se da altura em que apareceram os primeiros telemóveis? Viam-se as pessoas na rua, em geral paradas, a falar e a gesticular como é próprio dos latinos, e quem olhava, por ainda não conhecer a nova tecnologia, ficava com a sensação de que os gesticulares não deviam estar bem da cabeça, coitadinhos, pois falavam e gesticulavam sozinhos.
Ora, há poucos dias, também eu fui protagonista de uma cena semelhante.
Como os dias têm estado solarengos, e antes que venham as chuvas que não nos deixam sair de casa, vou passear e aproveito para me sentar e ler um bocado.
Num desses dias, instalei-me numa esplanada  a reler o livro  "O Memorial do Convento", que foi prémio Nobel da Literatura em 1998, e do qual já não me lembrava muito bem.
Comecei a leitura e a narração ilariante de uma época histórica que deu origem à construção do palácio de Mafra, fez-me rir - não sorrir - mas rir a bom rir.
Imaginem-me sozinha a ler e a rir cada vez mais!
Como o sol se reflectia da mesa de metal e me encandeava um pouco, pousei o livro para minimizar o incómodo e, não sei porquê, olhei para o meu lado direito e então vi um casal sentado numa mesa a olhar para mim, com ar de quem me achava maluquinha por rir daquela maneira ao ler o livro.
Escusado será dizer que achei tanta graça ao ar espantado do casal, que me virei para o lado contrário e ainda ri com mais gosto.
Calculo que devem ter achado que tinha perdido o juízo de todo, mas eu não me importei absolutamente nada.
Afinal rir faz bem à alma e, diz-se ... tira as rugas!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Ser Amigo




    



                                             Para teres amigos
                                             não precisas ser perfeito.
                                             Para teres amigos
                                             não precisas ocultar-te.
                                             Para teres amigos
                                             só precisas ser sincero
                                             e alguma mão tenderá a amparar-te...

                                                                                                                     Anónimo
                                                                                                                   

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Culpado?



                            Adão




O que se está a passar no mundo faz-me pensar e, ao mesmo tempo, sorrir porque, mais uma vez, chego à conclusão que a fábula de La Fontaine sobre "O lobo e o cordeiro", é uma metáfora para o que se passa actualmente no mundo.
Todos estamos chocados e preocupados com os atentados que tem havido na Europa, e a seguir com a retaliação nos povos onde se supõe estarem os responsáveis  pelos morticínios.
Ou seja, são postas bombas nos países do ocidente, em lugares públicos, onde morrem centenas de inocentes, com a desculpa de que os governantes ocidentais têm atitudes que levam os terroristas a estes actos. Mas estes governantes estão bem protegidos e nada sofrem.
A seguir, estes dirigentes, indignados, retaliam e seguem-se bombardeamentos nos países do leste, onde também morrem centenas de inocentes.
Claro que, quem iniciou o "jogo",  também está a salvo, algures. E andamos há séculos neste jogo de "a culpa é tua e agora eu puno-te", com milhares de pessoas a morrerem e os responsáveis, bem instalados, a jogarem com as marionetes - que são os povos - com a mesma desculpa usada pelo lobo, quando quer comer o cordeiro - a ofensa feita pelo pai do pobre cordeiro, ou de outro familiar mais distante.
 Ora hoje em dia, em que todos se culpam mutuamente, era interessante averiguar qual dos nossos antepassados foi o primeiro a praticar o acto criminoso da matança dos seus semelhantes e, tenho a certeza, que se chegaria à conclusão que o único homem que pela primeira vez matou, sem ninguém o ter  ameaçado, anteriormente, foi Adão, por ser o primeiro homem que existiu.
 Afinal Adão é o único culpado por milénios de mortandade ! Ninguém mais é responsável!
 Todos os que têm poder para mandar matar populações inocentes, "não devem ter problemas de consciência", pois "a culpa é de Adão"! 


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Vídeo de Marques Pereira

                                         
Triste, com a alma cansada?


Se quiser uns momentos de deleite, ouça este vídeo.



https://www.facebook.com/marcospereira1010/videos/937764516289611/

POEMAS



Dois Poemas de Sofia de Mello B. Andresen


                                                                                  

I


 





II








quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A Grande Descoberta












Sempre ouvi dizer, desde que o meu entendimento começou a despertar, que o Inferno existe pois é para lá que vão os pecadores.
Também sempre ouvir dizer que o Inferno fica "lá em baixo", por oposição ao Céu que fica "lá em cima". Nunca consegui perceber onde ficava o "lá em baixo".
Quando aprendi que a terra era redonda, este problema complicou-se, pois não há "abaixo" nem "acima". Mais tarde, enquanto estudante, esta dúvida pareceu esclarecida quando me falaram de Dante e da Divina Comédia e dos três níveis aí descritos - Inferno, Purgatório e Céu - os dois primeiros com vários patamares de expiação e  o Céu, o local da bem-aventurança. Pensei então que os dois níveis de expiação ficariam no Centro da Terra e o Céu seria para além das nuvens.
Passaram-se os anos, as dúvidas ficaram no limbo da memória devido à lufa-lufa do dia a dia, e agora que tenho tido tempo para me dedicar aos mistérios que envolvem a humanidade e o mundo em geral, surgiram as dúvidas antigas.
Hoje, mais uma vez observando o mar, fiz a "Grande Descoberta", o que não admira pois sou descendente dos grandes descobridores portugueses dos séc. XV e XVI - como sabem foram os primeiros europeus a chegar à Índia, ao Japão e às ilhas do Pacífico, depois de rodearem, por mar, toda a costa de África.
Qual foi a grande descoberta?
Que o Inferno e o Purgatório não se encontram no interior da Terra mas na superfície. E o mais grave, é que foram os humanos que o inventaram, o alimentam e continuam a adorá-lo!
Temos todas as provas de que o Inferno se situa, sobretudo, em África e no Extremo Oriente, onde o sofrimento é indiscritível, "a ferro e fogo", como Dante descreveu, e o Purgatório nos outros países do Segundo e Terceiro Mundos, onde as pessoas continuam a sofrer sem conseguirem vislumbrar o Céu.
E os habitantes do Primeiro Mundo, os grandes magnatas, será que vivem no Céu, ou também vivem no Purgatório, com pavor de que as suas grandes fortunas ruam devido aos altos e baixos das Bolsas que dominam o Mundo dos Negócios?
Não sei se esta minha "Grande Descoberta" me dá direito a receber um Prémio Nobel, mas não
deixa de ser muito importante!
















domingo, 8 de novembro de 2015

O Subconsciente e a Internet














 
 
Há pouco tempo que navego na internet, mas nestes seis meses já consegui encontrar umas centenas de amigos e alguns seguidores das minhas estórias, e tanto a uns como a outros aqui deixo o meu reconhecimento.
Claro que deles só sei o que eles mostram - as fotos, como todos sabemos, podem ou não corresponder à realidade; no que respeita ao que é publicado, podemos vislumbrar algo sobre a pessoa com quem interagimos. Mas só vislumbrar, porque a realidade pode ser bem diferente.
O que acabo de dizer já toda a gente sabe e melhor do que eu, mas apesar de sempre ouvir dizer que na Net "o que parece nem sempre é o que, de facto, parece" estes comentários tornam-se ecos que se perdem na azáfama do dia-a-dia.
Ora acontece que um dos meus vários amigos, na altura da aceitação do pedido de amizade, no seu perfil, tinha uma foto muito engraçada que, subconscientemente, me levou a formar uma imagem sobre a sua pessoa - um jovem brincalhão, um pouco irreverente, pois só isso explicava o facto de gostar das minhas estórias.
Algum tempo depois constactei que esse meu amigo afinal não era o jovem que a minha mente imaginara, mas um adulto muito mais velho. No entanto a imagem primeira foi a que prevaleceu. Apesar de saber a idade real deste amigo, sempre contactei com ele com base na impressão subconsciente que tinha na mente e continuo a vê-lo dessa maneira, tal como uma mãe vê num filho crescido, o "seu menino", e mesmo depois de ele se tornar um homem maduro, continuar a preocupar-se como se ele fosse pequeno.
Perante esta minha experiência, penso que o nosso subconsciente nos prega partidas interessantes e que, mesmo perante a realidade, continua, teimosamente, a albergar imagens e sentimentos que já deviam ter desaparecido.
A Internet pode levar a este tipo de situações bizarras que, com a razão e com tempo, podem ser controladas, mas com outros tipos de tecnologias avançadas, o nossa racionalidade conseguirá competir com o subconsciente?






segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O Povo Escolhido

          Jardins Suspensos da Babilónia









       

                         Colosso de Rodes
                


Adoro ler livros históricos sobre  todos os povos que existem e existiram mas, claro, tenho uma grande predilecção pelas culturas mais antigas e que mais sobressaíram no aspecto cultural, arquitectónico e filosófico.
Quem não fica maravilhado com as descrições épicas da Antiguidade e com os monumentos fantásticos que foram construídos e com os quais ficamos perplexos e emocionados?
É nestas ocasiões que me ponho a cogitar.
Um grande músico, um grande compositor, filósofo ou cientista, seja de que era for é sempre considerado um "ser especial", um "escolhido. O mesmo podemos dizer dos povos da antiguidade que, pela sua cultura, se destacaram de todos ou outros de maneira espantosa. Tinham um "dom", eram os "escolhidos".
Em comparação com esses povos de culturas superiores podemos afirmar, sem exagerar, que todos os outros mal tinham saído da barbárie.
Agora põe-se a questão: os povos que se destacaram eram escolhidos por quem?
Embora estes povos, tão avançados em relação a todos os do seu tempo, nunca tivessem afirmado, ou nunca tivessem sequer posto esta pergunta, sabemos que acreditavam que foram os seus deuses que lhes transmitiram tão grandes conhecimentos.
Com o desaparecimento destas culturas desapareceram os seus deuses.
Séculos depois, as principais religiões hoje conhecidas e de inspiração judaica começaram a ensinar que somos descendentes de Adão e Eva, os quais foram criados por Deus e, como tal, todos os seus descendentes são "criaturas" de Deus.
 Ora, em todos os descendentes há os que são bons e os que são menos bons. Há os espertos e os menos espertos, mas todos são igualmente aceites no seio familiar e, apesar da nossa condição humana, acarinhamos os mais dotados, mas também os menos dotados, não os banimos,  não os tornamos proscritos.



Como estas religiões maioritárias afirmam que o "povo escolhido por Deus", há alguns milhares de anos, é o povo de "Israel", isto quer dizer que esses poucos milhares de pessoas, ignorantes na sua maioria,  foram "escolhidas", em detrimento do resto da humanidade?
Mas esse povo, o povo de Israel, foi escolhido porquê?
Então Deus renegou e ignorou "todas as Suas criaturas do globo terrestre", inclusivé os seres com mentes especiais e culturas especiais, para se dedicar, exclusivamente, ao bem-estar dos judeus?
Isto faz algum sentido? Que Deus faria isto?
Ou os antigos  patriarcas judeus, devido aos anos ou séculos de escravidão e para mitigar o infortúnio  deste povo,  num acto de desespero, inventaram um deus à sua imagem, tendencioso e cheio de defeitos?
Deus existe mas "não poderia escolher povo nenhum" porque todos somos obras Suas.
 "Todos somos o Seu Povo" e só temos que merecer e agradecer a nossa existência.






terça-feira, 20 de outubro de 2015

Fábula e reflexões

















Quem não conhece as fábulas de La Fontaine?
Todos as conhecem, podem é não saber que foi este escritor francês que, ou as inventou, ou as adaptou de um escritor grego muito mais antigo, chamado Esopo.
Numa delas, "O Lobo e o Cão doméstico", o lobo chega à conclusão de que mais vale ter fome e ser livre do que ter a barriga cheia mas ser prisioneiro, à mercê do dono.
Porquê todo este arrazoado?  Porque fui ao jardim zoológico de Lisboa e perante todos os animais residentes, uns em locais mais ou menos espaçosos e outros em jaulas, também mais ou menos espaçosas, senti a sua infelicidade, a sua frustração e impotência para alterar esta situação.
Como posso ficar indiferente, especialmente, à situação dos animais ditos selvagens - leões, elefantes, tigres, etc - que estão limitados a uns meros metros quadrados para se moverem, quando no seu habitat natural andam quilómetros, diariamente?
Algumas amigas minhas que têm animais de "estimação" não compreendem o meus desacordo com a moda dos animais de estimação, porque considero que quem estima os animais não os fecha em casa, na maioria das vezes em andares, num espaço reduzido, que é precisamente o contrário das suas naturezas. Estão quase sempre sozinhos durante o dia, tendo como único privilégio meia hora de exercício físico na rua,  sem direito ao contacto livre com os animais da sua espécie, sem direito às andanças e necessidades fisiológicas para que foram concebidos.
Pensando em tudo isto, vim para casa com um sentimento de frustração que não me largava e não consegui deixar de fazer um paralelo entre os animais e nós humanos. Pus-me a imaginar se, por acaso, num futuro próximo ou longínquo, nos fosse imposto um "jardim zoológico humano",  (já há livros e filmes de ficção que abordam este tema) como reagiríamos?
Será que nos adaptaríamos à nossa condição de "animais de estimação" ou de "animais a preservar da extinção", tal como fazemos com os animais e, pior ainda,  achamos que estamos cheios de razão?
Nem quero pensar a sério nesta suposição. Por enquanto eu posso estar tranquila, mas os meus descendentes? E toda a humanidade futura?
Não sorriam, reflitam!










quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Sonhos



A época balnear já acabou, as praias estão praticamente desertas e o calor deu lugar às temperaturas amenas do Outono.
Com um sol radioso e estas condições perfeitas, eu não poderia deixar de aproveitar um passeio à beira-mar e de, mais uma vez, me sentir dona de uma praia inteira, pois estava deserta.
Esta praia é pequena e fica encravada entre falésias. Aqui o vento é quase nulo e, portanto, instalei-me como se estivesse numa esplanada. Como não tinha horários a cumprir, sentei-me numa extremidade da praia, encostada a uma rocha, a ouvir o som das ondas que me relaxam e me acalmam, preenchendo o tempo entre a observação do que me rodeava e a leitura dum livro que levei.
Neste estado de calma e bem-estar, ao olhar mais uma vez para a rebentação das ondas, na extremidade oposta da praia vi um vulto a sair da água e zás ... a minha imaginação disparou.
Um vulto com um tridente na mão? Só pode ser Neptuno, o deus do mar! As ondas estão mais revoltas e a espuma mais branca? Só podem ser os cavalos do carro deste deus marinho que estão a saltar para a areia!
O meu devaneio já ia a galope!
 Mas todos os sonhos têm um fim. Este não durou muito. Só durou o tempo que o vulto levou a sair da água e ...... adeus ilusão!
O Neptuno era apenas um pescador-mergulhador, com o fato próprio desta tarefa e que empunhava o seu bastão de caçar peixes.
A desilusão foi grande mas reconheço que o pescador  desconhecido, sem o saber, foi o personagem principal de um sonho acordado, louco e curto - mas belo - e por isso lhe estou muito grata.
Os sonhos não são reais mas, se são bons, deixam-nos felizes!












quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Luta De Direitos?

















Há dias, num dos meus passeios pela zona ribatejana, em plena lezíria, deparei-me com um acontecimento que, possivelmente, não chamaria a atenção de quem lá passasse, mas que a mim me despertou a imaginação.
De facto é uma imagem banal vermos, naquele sítio, as "chocas" que, como todos sabem, são as vacas que, nas arenas de tauromaquia, têm como missão tirar e levar para o "curro" os touros que acabaram de ser lidados, para deleite dos aficcionados da arte tauromáquica.
Ora, como dizia, olhei para a lazíria e vi um ajuntamento de "chocas", mais numeroso do que o habitual, enquanto os touros andavam a pastar mais ao longe, na sua importância de machos destemidos e muito apreciados.
Então, de repente, veio-me à cabeça uma ideia meio louca.
Se elas não estavam a pastar, mas juntinhas, como numa reunião, quem sabe se estariam em conferência!
Com a modernidade de todas as raças, talvez as "chocas" estivessem reunidas para discutirem e protestarem contra as suas condições de trabalho, o perigo que enfrentam nas arenas, quando os touros, encolerizados devido às bandarilhas que lhes espetam no cachaço e frustrados por não terem conseguido "colher" o cavalo ou o "capinha", descarregam nas pobres "chocas" as marradas que não deram aos seus inimigos.
Se não estiver errada e se estavam a fazer uma manifastação de protesto, têm toda a minha admiração, porque é sempre o género feminino que sofre o embate das frustrações masculinas.
Urra à luta pelos direitos dos animais!


terça-feira, 15 de setembro de 2015

"Água-de-Artifício






 
Hoje, mais uma vez, fui passear junto ao mar, já que, com a chegada das marés vivas, nas praias de oceano é quase impossível "fazer praia", pelo menos para quem, como eu, é mau nadador.
Confesso que não fiquei a perder com a situação, pois o espectáculo que o mar me proporcionou e a mais uns tantos apreciadores da costa marítima, foi deveras maravilhoso.
Esta costa onde vou sempre que possível, está cheia de arribas e  de reentrâncias nas arribas onde o mar bate e entra, mostrando como é poderoso.
Começamos a ver, ao longe, o início da formação da onda, que é azul, depois o seu crescimento em altura e força até ficar uma enorme massa de água verde esmeralda, com a crista branca de espuma que salta, como um atleta de salto em altura, antes de começar a correr, desenfreado, para o salto.
Então esta massa enorme de água atira-se contra a falésia, com fúria desmedida, para depois se transformar  - tal como o fogo-de-artifício - num espectáculo de  "água-de-artifício" mais belo que aquele, mais próximo de nós, mais palpável, mas também mais perigoso.
No desenrolar deste movimento visual, temos o acompanhamento do som da água durante todo o percurso da formação da onda que, tal como uma sinfonia, começa num marulhar, aumenta a pouco e pouco, "en crescendo", até ao desempenho final, como um bombo em delírio.
Se tivermos a sorte de juntar a esta visão o bailado deslumbrante de miríades de luzes na superfície da água, devido aos raios do sol na sua curva já descendende, então podemos gabar-nos de termos assistido à apoteose da natureza no seu máximo.
Sei que há quem diga que se sentiria "pequenino" perante este espectáculo, mas eu, confesso, não me sinto pequena  mas "grande", pois sinto que faço parte desta natureza e tenho o privilégio de a poder observar, sentir e fruir.
Por tudo isso, "sinto-me importante".




quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Eleições













 

Ando eufórica, direi mesmo, ando "nas nuvens" desde que começou a campanha para a eleição  do Primeiro Ministro.
Não é de admirar que me sinta assim, pois quando ouço os candidatos a fazerem tantas promessas ao eleitorado - para cumprir - para quando chegarem ao governo, fico com a esperança de que desta vez é que vamos todos viver bem.
Claro que estou a falar das promessas que são feitas explìcitamente, não estou a falar das promessas que fazem a eles próprios - e que também são para cumprir - mas de que não falam, pois essas deixariam o eleitorado muito preocupado e decepcionado, e lá iam os votos "à vida".
Eu não deixo de ouvir todos os candidatos para saber qual o que melhor irá tratar dos problemas de todos nós. E porquê?
Porque devido  aos reembolsos que nos prometem já estou  a planear fazer umas férias a sério, e que mereço. E como o meu lema é sonhar, já estou mesmo a sonhar com uma viagem que há muito desejo fazer, mas não digo qual, para não dar azar!
Para a concretização deste sonho talvez precise de uma ajudinha extra - talvez os Bancos participem nesta acção de boa vontade governativa.
Apesar da minha euforia, de vez em quando uma vòzinha muito fraca tenta chamar-me à realidade, mas eu finjo que não a ouço e penso que, depois do meu sonho realizado, se tiver que "pagar" e não tiver como, talvez não seja mau de todo, um "quartinho com pensão completa" à custa do estado.
Com certeza que o meu "quarto" não será igual às "suites" atribuídas aos amigalhaços  que também estão de férias nesses complexos estatais, talvez tenha que partilhá-lo com mais hóspedes, mas não me importo porque fico com muito tempo para recordar tudo o que gozei.
Como as prisões estão cheias, com um pouco de sorte, talvez já não haja espaço para mim.