

Quem não conhece as fábulas de La Fontaine?
Todos as conhecem, podem é não saber que foi este escritor francês que, ou as inventou, ou as adaptou de um escritor grego muito mais antigo, chamado Esopo.
Numa delas, "O Lobo e o Cão doméstico", o lobo chega à conclusão de que mais vale ter fome e ser livre do que ter a barriga cheia mas ser prisioneiro, à mercê do dono.
Porquê todo este arrazoado? Porque fui ao jardim zoológico de Lisboa e perante todos os animais residentes, uns em locais mais ou menos espaçosos e outros em jaulas, também mais ou menos espaçosas, senti a sua infelicidade, a sua frustração e impotência para alterar esta situação.
Como posso ficar indiferente, especialmente, à situação dos animais ditos selvagens - leões, elefantes, tigres, etc - que estão limitados a uns meros metros quadrados para se moverem, quando no seu habitat natural andam quilómetros, diariamente?
Algumas amigas minhas que têm animais de "estimação" não compreendem o meus desacordo com a moda dos animais de estimação, porque considero que quem estima os animais não os fecha em casa, na maioria das vezes em andares, num espaço reduzido, que é precisamente o contrário das suas naturezas. Estão quase sempre sozinhos durante o dia, tendo como único privilégio meia hora de exercício físico na rua, sem direito ao contacto livre com os animais da sua espécie, sem direito às andanças e necessidades fisiológicas para que foram concebidos.
Pensando em tudo isto, vim para casa com um sentimento de frustração que não me largava e não consegui deixar de fazer um paralelo entre os animais e nós humanos. Pus-me a imaginar se, por acaso, num futuro próximo ou longínquo, nos fosse imposto um "jardim zoológico humano", (já há livros e filmes de ficção que abordam este tema) como reagiríamos?
Será que nos adaptaríamos à nossa condição de "animais de estimação" ou de "animais a preservar da extinção", tal como fazemos com os animais e, pior ainda, achamos que estamos cheios de razão?
Nem quero pensar a sério nesta suposição. Por enquanto eu posso estar tranquila, mas os meus descendentes? E toda a humanidade futura?
Não sorriam, reflitam!

Sem comentários :
Enviar um comentário