quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Eleições













 

Ando eufórica, direi mesmo, ando "nas nuvens" desde que começou a campanha para a eleição  do Primeiro Ministro.
Não é de admirar que me sinta assim, pois quando ouço os candidatos a fazerem tantas promessas ao eleitorado - para cumprir - para quando chegarem ao governo, fico com a esperança de que desta vez é que vamos todos viver bem.
Claro que estou a falar das promessas que são feitas explìcitamente, não estou a falar das promessas que fazem a eles próprios - e que também são para cumprir - mas de que não falam, pois essas deixariam o eleitorado muito preocupado e decepcionado, e lá iam os votos "à vida".
Eu não deixo de ouvir todos os candidatos para saber qual o que melhor irá tratar dos problemas de todos nós. E porquê?
Porque devido  aos reembolsos que nos prometem já estou  a planear fazer umas férias a sério, e que mereço. E como o meu lema é sonhar, já estou mesmo a sonhar com uma viagem que há muito desejo fazer, mas não digo qual, para não dar azar!
Para a concretização deste sonho talvez precise de uma ajudinha extra - talvez os Bancos participem nesta acção de boa vontade governativa.
Apesar da minha euforia, de vez em quando uma vòzinha muito fraca tenta chamar-me à realidade, mas eu finjo que não a ouço e penso que, depois do meu sonho realizado, se tiver que "pagar" e não tiver como, talvez não seja mau de todo, um "quartinho com pensão completa" à custa do estado.
Com certeza que o meu "quarto" não será igual às "suites" atribuídas aos amigalhaços  que também estão de férias nesses complexos estatais, talvez tenha que partilhá-lo com mais hóspedes, mas não me importo porque fico com muito tempo para recordar tudo o que gozei.
Como as prisões estão cheias, com um pouco de sorte, talvez já não haja espaço para mim.


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Rivalidades





















Cá estou eu a falar-vos de novo, mas desta vez não estou somente irritada, estou completamente arrasada com o que está a acontecer, por eu ter desabafado em público, devido à teimosia dos meus dedos.
Claro que sou a Mão que tem cinco Dedos desavindos.
Imaginem que as outras partes do corpo me acusam de ser vaidosa, desleal, e de querer evidenciar-me em detrimento de todas elas.
O Braço é que, não sei como, soube que eu tinha desabafado convosco e resolveu fazer um escândalo, porque acha que sem ele eu, a Mão, não sou nada, e diz que, se lhe apetecer, faz greve e eu fico completamente imobilizada.
Mal ouviram esta ameaça, os Pés resolveram fazer "greve de zelo". Só se mexem para as necessidades básicas.
A Cabeça perdeu as estribeiras e desatou a gritar que ela é que tem a última palavra a dizer, porque é a única que pensa e todos os órgãos do corpo são comandadas por ela.
Ninguém gostou desta prepotência e falta de respeito pelo trabalho de cada um, por isso todos começaram a discutir.
Quando o Estômago lhes perguntou como sobreviveriam se ele parasse, a Cabeça titubeou e para não "dar parte de fraca" disse que não respondia a provocações.
Foi então que o Coração, apesar de ser o órgão do amor, como todos sabem, farto de tanta insensatez, só para lhes meter medo, disse que, se não se calassem, parava e acabava-se a discussão com a morte de todos.
Claro que apanharam um grande susto pois o coração, às vezes, tem as suas "manias".
 Acabaram com as ameaças, mas continuam a acusar-me e a criticar-me. Não me deixam um momento de sossego. Eu que me limitei a desabafar para me sentir melhor e mais calma! Se adivinhasse que isto ia acontecer, tinha ido ao psicólogo.
Como calculam tem sido uma confusão.
O histerismo é de tal maneira grande que já falam numa Assembleia Geral para debaterem o assunto e tomarem medidas. Há até quem alvitre a formação de um Sindicato que represente cada órgão.
Mais uma desavença porque todos querem ser o Presidente da Assembleia, pois cada uma das partes  se julga indispensável e mais importante que as outras.
O mundo está mesmo louco...


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Sobrevivência

















Toda a vida parti do princípio  de que os animais em geral - não me refiro aos animais de estimação ou aos que estão em cativeiro - tinham uma vida mais ou menos tranquila, e que a sua maior preocupação só era procurararem a comida.
Nunca pensei que a parte mais difícil dessa tarefa premente fosse terem-lhe acesso ou, pior ainda, conservarem-na, depois de a terem em seu poder.
Pensava também que a alimentação era suficiente para todos, mas não é assim; tal como os humanos, muitos animais morrem de fome, por escassez ou por ganância de outros.
De facto, já tenho visto várias vezes algumas aves, até da mesma espécie, roubarem a comida do bico das outras, e nas perseguições que se seguem para reaver o que lhes foi tirado; mas isso passa-se aqui, numa parte do mundo onde a natureza ainda é pródiga no sustento das várias espécies.
 Mas noutras a vida é demasiado dura para a fauna residente e é quase um milagre que determinados animais consigam sobreviver com tão pouco, com todos os perigos que enfrentam, mas com tanta tenacidade. Basta acompanhar o que se passa em determinadas regiões do nosso planeta.
Parece-me que de todos os animais que enfrentam o problema da alimentação, os mais desfavorecidos são os que habitam o continents africano e as regiões geladas no ártico.  No primeiro caso, devido às secas sazonais e no segundo, devido às grandes extensões de gelo. 
Também pelo mundo fora a raça humana enfrenta estes  mesmos problemas e, embora encontremos  milagres de sobrevivência - e volto a referir o continente africano como o mais problemático - porque os humanos têm a seu favor a inteligência que os faz "inventar", do nada, o mínimo exigido para não morrerem de inanição, nem sempre o conseguem, mais uma vez, devido à ganância dos "seus semelhantes".
Basta acompanharmos o que nos é mostrado pelos meios de comunicação.
                                                                                                                                        
       


             
                        As Injustiças Do Mundo!                     
                       
                                                                            
                                                                                                       




                                                                         



segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Paraísos





Desde pequena, tal como todas as crianças até hoje, que ouço falar do paraíso  terrestre.
Quando dele ouvia falar, o paraíso terreal era sempre descrito como uma espécie de jardim - daí o nome de Jardim do Éden.
Mais tarde, mais consciente e mais instruída para a apreciação das obras de arte de todos os tempos, reparei que o paraíso era sempre representado como uma espécie de bosque muito frondoso, com mais ou menos animais, conforme o autor e, normalmente, com um rio ou riacho, ou até mesmo um lago.
Os animais existentes eram sempre aqueles animais "fofinhos" de quem toda a gente gosta: coelhinhos, aves, corças, esquilos, etc.
Ora eu sempre me perguntei por que motivo o paraíso sempre foi representado em florestas ou bosques, mas nunca ninguém o pintou junto ao mar, pois também aí há paisagens lindíssimas, também há aves e, sobretudo, uma grande variedade de vida marinha, já para não falar dos belos peixes e crustácios saborosos que Adão e Eva deviam ter apreciado.
Foi preciso, no século XX, "inventar-se" o turismo e as grandes empresas turísticas "descobrirem" os potenciais das costas do nosso globo, para aparecerem, finalmente, os paraísos que eu imaginava.
Agora não temos só um paraíso, mas milhares, tanto nas costas marítimas  como no interior, mas estes, além daqueles animais carismáticos, mostram aos descendentes do casal ancestral da humanidade, todo o tipo de fauna de pequeno e grande porte.
O mais interessante é que também nestes paraísos há que ter muito cuidado com a serpente tentadora, porque neles as tentações, por serem muitas e muito apetecíveis, podem levar a excessos perigosos.




Como falo de paraísos, não posso deixar de referir os "paraísos fiscais".
Esses são paraísos em toda a acepção da palavra, de gozo e de poder. Neles não há que ter medo da serpente tentadora, pois todos os  grandes magnatas que nesses paraísos puseram a  riqueza a salvo, disfrutam-na plenamente, assim como dos variadíssimos prazeres que o dinheiro pode comprar.
 Esses, sim, são as "Verdadeiras Serpentes".