quarta-feira, 23 de maio de 2018

Salamaleques ...





No Sábado passado fui assistir a um torneio de artes marciais japonesas, das que são ensinadas em vários  ginásios, para que as crianças e os jovens aprendam a defender-se e a atacar, em caso de necessidade, aproveitando os pontos fracos dos adversários.
Como o meu neto de 9 anos era um dos participantes de Jiu Jitzu, fui ver o seu desempenho na arte que pratica há 4 meses.
Como sabem, em todas as artes marciais chinesas ou japonesas, o praticante tinha como objectivo atingir a calma, a virtude e lealdade como metas pessoais, e é nessa linha de pensamento que, tanto antes do início de uma competição como no fim, os adversários fazem umas quantas vénias e gestos que significam o respeito e honestidade que demonstram um pelo outro, o que é muito positivo para a harmonia desportiva.
De facto, tudo decorreu como era esperado até ao momento em que uma jovem, com cerca de 15 anos, se aproximou do espaço de competição.
Então um grupo de jovens desportistas, que esperavam a sua exibição, começaram a vaiar a jovem, com assobios e a chamarem-lhe "totó", aos berros.
Esta atitude desonrosa e aviltante dos colegas  não me admirou muito porque, infelizmente, é o que aprendem em casas com os pais "desportistas" e com as imagens televisivas dos estádios, onde os adultos se comportam irracionalmente, mas o que não esperava era a FALTA de intervenção dos dirigentes e mentores do torneio contra este abuso e o total desinteresse pela agressão moral e psicológica a uma colega que ia enfrentar a adversária.
Afinal onde está o espíritro desportivo e o respeito das artes marciais?
Afinal, nos nossos ginásios, os salamaleques não passam disso mesmo, só salamaleques, sem qualquer significado!
Que Desonra e que Hipocrisia!


quinta-feira, 10 de maio de 2018

Os Castrati

           
Castrati = Castrados

Com certeza já vários dos meus leitores e amigos ouviram árias e coros de cantores com vozes celestiais, que  deleitam e emocionam.
Estas vozes divinais ou angelicais, um misto de soprano e contralto, efeminadas, são cantadas por homens ou jovens meninos.
Mas como podem eles ter umas vozes tão belas e tão diferentes dos outros grandes cantores líricos?
Sempre ouvimos dizer que "não há bela sem senão" e estas grandes cantores são fruto de um "grande senão"!
Foram castrados antes dos 12 anos, antes de atingirem a puberdade, altura em que os rapazes sofrem as modificações físicas que os transformam em homens.
Estes rapazes, para atingirerm a perfeição vocal, eram Castrados, pois assim se impedia a alteração da laringe e a consequente voz máscula. Em vez da transformação normal, a laringe alongava-se e o jovem, além de ficar com voz efeminada, atingia agudos que não são atingidos de outra forma.
Esta prática existe desde tempos remotos, mas na Europa - especialmente em Itália - foi amplamernte praticada a partir do séc. X, especialmente para os coros de Catedrais e Igrejas.
No séc. XVI, o Papa Sisto V aprovou uma Bula Papal para recrutamento de castrati, para o coro da Capela Sistina da Basílica de S. Pedro.
O mesmo acontecia para as capelas das Cortes mais importantes da Europa.
Especialmente nos séc. XVII e XVIII, aquando do auge da Ópera, os cantores Castrati eram a elite das representações líricas.
Farinelli, ainda hoje considerado o maior cantor Castrato de sempre, e que viveu entre 1705 e 1782, era a Super-Estrela da época, desejada por toda a Europa.
No princípio do sec. XIX, em 1902, o Papa Leão XIII, consciente do abuso e horror da prática da castração, proibiu que se utilizassem castrati nos coros das igrejas.
No entanto, o  último grande cantor Castrato conhecido - Alessandro Moreschi - cantou na Capela Sistina até 1913.



Nesta cena do filme sobre Farinelli, o cantor tem recordações da sua castração!

   

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Quem Engravida É ... O Macho!

         
                                                                                                             



                                                                                                                             
O Cavalo Marinho é um peixe, embora até há poucos anos não fosse considerado como tal.
Este animal curioso, que todos conhecem, tem características muito interessantes, qualquer que seja o tamanho - o mais pequeno mede 5 cm - e a subespécie, e há várias.
Além da sua forma insólita, muda de cor conforme o habitat em que se encontra, tal como o camaleão, e os seus olhos, tal  como o camaleão, giram 360º. Além disso, pode movimentar um dos olhos para trás e o outro ficar a olhar para a frente, para se prevenir dos predadores.
Mas a característica única deste pequeno peixe é a maneira como se reproduz.
Na Primavera, a fêmea gera os ovos, de 5 a 1.500, conforme o tamanho e a espécie, mas depois passa os ovos ao macho.
Após um bailado de acasalamento que pode durar cerca de 1 h, a fêmea deposita os ovos numa bolsa do macho, formada por uma prega de pele, que se fecha, onde são fertilizados e fecundados e, tal como uma placenta, vai aumentando de volume.
Após 2 meses, as crias nascem, e essa prega solta-se, como acontece com a placenta.
As crias ficam por sua conta. Devido aos predadores, estima-se que só sobreviva 5% das crias.
A Natureza consegue ser mais criativa do que podemos imaginar!