quinta-feira, 10 de maio de 2018

Os Castrati

           
Castrati = Castrados

Com certeza já vários dos meus leitores e amigos ouviram árias e coros de cantores com vozes celestiais, que  deleitam e emocionam.
Estas vozes divinais ou angelicais, um misto de soprano e contralto, efeminadas, são cantadas por homens ou jovens meninos.
Mas como podem eles ter umas vozes tão belas e tão diferentes dos outros grandes cantores líricos?
Sempre ouvimos dizer que "não há bela sem senão" e estas grandes cantores são fruto de um "grande senão"!
Foram castrados antes dos 12 anos, antes de atingirem a puberdade, altura em que os rapazes sofrem as modificações físicas que os transformam em homens.
Estes rapazes, para atingirerm a perfeição vocal, eram Castrados, pois assim se impedia a alteração da laringe e a consequente voz máscula. Em vez da transformação normal, a laringe alongava-se e o jovem, além de ficar com voz efeminada, atingia agudos que não são atingidos de outra forma.
Esta prática existe desde tempos remotos, mas na Europa - especialmente em Itália - foi amplamernte praticada a partir do séc. X, especialmente para os coros de Catedrais e Igrejas.
No séc. XVI, o Papa Sisto V aprovou uma Bula Papal para recrutamento de castrati, para o coro da Capela Sistina da Basílica de S. Pedro.
O mesmo acontecia para as capelas das Cortes mais importantes da Europa.
Especialmente nos séc. XVII e XVIII, aquando do auge da Ópera, os cantores Castrati eram a elite das representações líricas.
Farinelli, ainda hoje considerado o maior cantor Castrato de sempre, e que viveu entre 1705 e 1782, era a Super-Estrela da época, desejada por toda a Europa.
No princípio do sec. XIX, em 1902, o Papa Leão XIII, consciente do abuso e horror da prática da castração, proibiu que se utilizassem castrati nos coros das igrejas.
No entanto, o  último grande cantor Castrato conhecido - Alessandro Moreschi - cantou na Capela Sistina até 1913.



Nesta cena do filme sobre Farinelli, o cantor tem recordações da sua castração!

   

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