terça-feira, 30 de abril de 2019

Império Com Amor

                                                      Império Português no séc. XVI




Já há bastante tempo li, algures, que alguns países da Europa, aqueles que tinham colónias por esse mundo fora, reprovavam aos portugueses que viviam nas nossas colónias o facto de se misturarem com os povos locais e, pior ainda, de viverem e até casarem com as nativas.
Especialmente os ingleses, no seu vasto império, sempre se distanciaram dos povos que ocupavam e não permitiam nenhum contacto, a não ser como criados.
Na África do Sul, chegaram a proibir os negros de entrarem nos mesmos autocarros que os ingleses e de se deslocarem nas suas zonas residenciais.
A ostracização foi tal que os autóctones tinham que viver em guetos, porque os ingleses os achavam seres inferiores.
Com certeza também se lembram que houve massacres horríveis.
Os Impérios erguem-se à custa de Guerras e de Massacres!
Porque estou a relembrar tudo isto?
Porque há bem pouco tempo li algo que me enterneceu:
"O Império Português foi erguido com Amor, embora tivesse havida algumas guerras", disse um suposto sino-português.
De facto, os descendentes resultantes do contacto entre os portugueses e os nativos das várias províncias ultramarinas não sentiam rejeição do povo português. Havia uma relação normal entre todos.
Durante algum tempo tive que me deslocar, em serviço, a Angola e Cabo Verde, depois da independência, e tive oportunidade de contactar com africanos e luso-africanos, e sempre me senti acarinhada e bem-vinda. As pessoas, especialmente as mais velhas, falavam de Portugal e dos portugueses com saudosismo e simpatia.
Por isso, ao ler a frase dita por um suposto sino-português,
- "o Império Português foi erguido com Amor, embora também tivesse havido algumas guerras" - fiquei admirada, enternecida e compreendi!
Como se ergueu o nosso Império com Amor?
"Com o fruto do Amor entre os portugueses e as mulheres dos vários países e continentes aonde chegaram".
Então lembrei-me dessas pessoas que conheci há muitos anos, mas que nunca esqueci, e acho que concordo com o suposto sino-português:
Construímos um Império com algumas guerras mas, essencialmente, com Amor.



sábado, 27 de abril de 2019

Somos Assim!




É vulgar ouvirmos esta frase a nosso respeito: " Nós, os portugueses, somos um povo de brandos costumes"
Mas também somos um povo de extremos: ou deixamos andar, ou passamos ao extremo oposto, por impulso, sem pensarmos nas consequências e, normalmente, "aquecidos e empurrados" por quem aproveita com a situação.
Basta olharmos para a nossa História!
Temos a revolta do povo de Lisboa em 1383, quando o alfaiate Álvaro Pais encabeçou a revolta e o povo que, armado de cacetas, forquilhas e o que havia à mão (segundo os relatos da época) matou o espanhol Conde de Andeiro e aprisionou a Rainha D. Leonor Teles. Os revoltosos, manobrados pelos verdadeiros instigadores desta revolução, "obrigou" o filho ilegítimo do Rei D. Fernando a aceitar o trono: o futuro D. João I. ( Hoje, há quem considere esta revolução a 1ª Revolução Burguesa do mundo!)
Em 1640, há um levantamento popular contra as medidas do reino de Castela, que governava Portugal, nos dominava e nos empobrecia.  Os revoltosos - revolta Manuelinho - formaram uma Junta Governativa. Os termos do documento dessa Junta foram assinados por Manuelinho, personagem conhecida como "louco" e que vagueava por Lisboa ( e esta!).
Conclusão, com peripécias pelo meio e pela pressão dos verdadeiros beneficiados, chegou ao poder D. João IV.
Em 1910 foram os intelectuais republicanos que, fartos do reinado de D. Carlos e da pobreza do reino, se revoltaram e o rei foi morto a tiro no Terreiro do Paço.
Começou a 1ª República que duraria uns escassos 16 anos, de 1910 a 1926.
O povo comemorou, pois a liberalização das ideias e acções tinha-se consumado. O pior é que os participantes do governo começaram a desentender-se, pois cada qual queria impor as suas ideias, e o país caiu na anarquia: neste curto período houve  45 governos e 8 Presidentes da República (é obra!).
Havia atentados quase diários - chegando a haver 3 por dia, segundo fontes consideradas fidedignas - e o preço dos alimentos subia diariamente e eram escassos. O país estava na "Banca Rota".
Mas não podemos esquecer que houve grandes e importantes alterações na Constituição de 1911, embora muitas das medidas tomadas não tivessem sido postas em prática durante a vigência deste Governo, mas só na 2ª República.
Decretos da Nova Constituição:
Alteração das cores e símbolos da Bandeira Portuguesa; novo hino nacional - a Portuguesa ;  nova moeda - o Escudo ; legalização do divórcio; direito à greve; 1 dia de descanso semanal; 8 h de trabalho diário; igualdade de direitos entre filhos legítimos e ilegítimos; expulsão das ordens religiosas e nacionalização dos seus bens; criação do ensino infantil dos 4 aos 7 anos de idade; criação do ensino primário gratuito, dos 7 aos 10 anos; criação de escolas técnicas - agrícolas, industriais e comerciais; escolas de formação de professores; e criação das Universidades de Lisboa e do Porto.
Uma coisa é uma boa Constituição e outra é a sua prática. Assim, devido à anarquia a que se chegou, a 1ª República caiu em Maio de 1926.
As forças armadas revoltaram-se no dia 31 de Maio e o General Gomes da Costa, que liderou o golpe de estado, tornou-se o Presidente da República deste novo regime: Ditatorial.
Em 1974 deu-se a revolução do 25 de Abril - a Revolução dos Cravos - também levada a cabo pelas Forças Armadas, devido ao desgaste de anos de guerras no Ultramar.
Claro, foi louvada por todo o povo português e deixou os países estrangeiro admirados com uma revolução sem tiros, mas com milhares de cravos.
Somos assim, adormecidos e, de repente … imprevisíveis!
                 






terça-feira, 23 de abril de 2019

Philadelphias



Quem não ouviu falar de Philadelphia?
Mas qual delas? A actual cidade americana ou a antiquíssima Philadelfia da Turquia?
E, já agora, o que significa a palavra grega Philadelphia?
Significa " Amor Fraterno".


      Ruínas de Philadelphia                                                                               Alasehir


Ora a cidade de Philadelphia, na Turquia, foi fundada no ano 189 a.C. pelo rei de Pérgamo. É referida no Livro do Apocalipse como tendo uma das Sete Igrejas existentes na Ásia Menor.
Parece que o seu significado "Amor Fraterno" faz jus a esta cidade pois, segundo afirmam alguns entendidos da vida de Jesus, Ele considerou esta cidade a única das sete igrejas que nunca tinha infringido a Lei.
(Esta afirmação intriga-me porque, no tempo de Jesus havia sinagogas, não havia igrejas, pois este termo só aparece com o Cristianismo).
Em 1390 esta cidade foi tomada pelos Turcos, que a deixaram em ruínas e lhe mudaram o nome para Alasehir.
E a Philadelphia americana?
Bem, essa não faz jus ao significado "Amor Fraterno", pois na segunda metade do séc. XX tinha a maior taxa de desemprego dos EUA, a maior taxa de crimes e de violência, devido à droga, ao desemprego e aos gangues - lembram-se dos filmes sobre a Máfia? - e era a segunda cidade mais populosa da costa atlântica, com uma grande mistura de raças.
No entanto, não nos devemos esquecer que é das cidades americanas mais antigas e que em 1776 aboliu a pena de morte por roubo, e garantiu a liberdade de religião a todos os cidadãos.
Mas o ponto alto de Philadelphia é ter sido o palco da assinatura da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, em 1776, pois todos estes estados eram colónias inglesas.

                                                          Philadelpfia nos EUA

domingo, 21 de abril de 2019

Aldeias Palafitas


                                                               Escaroupim





Há dias, uns amigos disseram-me que iam fazer um passeio de barco a Escaroupim, uma aldeia Vieira na margem do rio Tejo, fundada pelos Avieiros, no concelho de Salvaterra de Magos.
Confesso que nunca tinha ouvido tal nome.
Sei que na margem do Tejo ainda há aldeias de palhotas palafitas - Aldeias Vieiras -, a maior parte em ruinas, construídas pelos Avieiros, pescadores nómadas ou, como geralmente eram chamados, "Ciganos do Tejo".
 O escritor Alves Redol, que escreveu o livro Avieiros, viveu durante algum tempo numa palhota, na aldeia de Palhota, para vivenciar a vida destes pescadores específicos, pois tanto pescavam no mar como no rio.
Oriundos de Vieira de Leiria, pescadores da sardinha no Verão, para sobreviverem no Inverno, desciam pelas margens do Tejo para pescarem os peixes de rio. Toda a família vivia dentro dos barcos, as Bateiras, mas no início do séc. XX sedentarizaram-se e começaram a construir palhotas, primeiro de vime e, mais tarde, de madeira, assentes em estacas de madeira - casas palafitas - para que a água do rio não as alagasse aquando das marés cheias.
O concelho da Salvaterra de Magos, no intuito de preservar este património nacional, reconstruiu as "Palhotas" de Escaroupim  e fez dela uma Aldeia Vieira Museu, recreando os espaços interiores e os trajes dos Avieiros.




sábado, 13 de abril de 2019

Mamífero, Pássaro Ou Réptil?

                       
                                                                      Ornitorrinco


Afinal que animal é este?
É o animal mais controverso que se conhece, pois é um misto de três espécies: mamíferos, aves e répteis!
Oriundo da Austrália Oriental e da Trasmânia, só foi descoberto em 1798.
Quando em Londres foi apresentado um desenho do ornitorrinco, a comunidade científica pensou que se tratava de um embuste. Desde essa altura até há pouco tempo, este animal tem sido um desafio para os cientistas que se têm dedicado ao seu estudo.
Embora seja mamífero, é o único mamífero que põe ovos e é também o único animal que tem características de mamífero, de pássaro e de réptil.
Tem bico como os patos marrecos, tem membranas natatórias e põe ovos como as aves, mas em covas. Os filhotes são alimentados com leite lambido dos poros e sulcos abdominais, pois as  fêmeas não têm mamas.
Tem pêlo hidro-repelente, como os castores e as lontras e a cauda chata como estes últimos.
Passa as maior parte do tempo na água e é um excelente nadador.
É um animal pacífico mas, quando ameaçado, ataca com um esporão venenoso localizado nas patas traseiras, lançando veneno, tal como fazem as serpentes. Desloca-se como um réptil.


                     

                               





domingo, 7 de abril de 2019

Os Dragões Existem?



                                                          Dragão de Komodo



Existem dragões, sim, mas só os da ilha Komodo na Indonésia.
Estes dragões não cospem fogo mas injectam veneno nas suas vítimas, com a língua bifurcada, e a sua saliva contém bactérias que provocam septicémia a qualquer vítima que nela toque.
Mas há outros dragões, só que não se passeiam pela Terra.
Há os dragões chineses, representados no vestuário e na louça, que fazem parte da crença chinesa. Todos os anos há uma grande celebração em sua honra.
Não são ameaçadores, pelo contrário, são benevolentes e representam a força, o poder, a nobreza e a boa-sorte.

                                                            Dragão Chinês



O povo chinês acredita que o deus Panku, criador do mundo, convocou os dragões para ajudarem  na criação da humanidade e para lhe transmitirem topo o tipo de ensinamentos. Ordenou também que continuassem a velar por ela ao longo dos séculos.
Enquanto os dragões da Ásia sempre protegeram os seus habitantes, os dragões da Europa eram seres terríveis que só traziam desgraças ao povo. Queimavam tudo por onde passavam, pois vomitavam grandes labaredas. Só alguns magos os conseguiam dominar mas, normalmente, em seu proveito, para conseguirem poder.
Durante séculos, o povo apavorado e sem compreender as forças da natureza, sempre que havia grandes trovoadas e relâmpagos, ficava apavorado pensando que era obra de dragões.
E, como sempre, os interessados na superstição e ignorância do povo usavam e abusavam desses medos para o subjugarem.


                                                                     Dragão Europeu

Mas .. não esqueçamos os dragões simpáticos dos desenhos animados e dos filmes fantásticos que animam tanta gente!