terça-feira, 15 de setembro de 2015

"Água-de-Artifício






 
Hoje, mais uma vez, fui passear junto ao mar, já que, com a chegada das marés vivas, nas praias de oceano é quase impossível "fazer praia", pelo menos para quem, como eu, é mau nadador.
Confesso que não fiquei a perder com a situação, pois o espectáculo que o mar me proporcionou e a mais uns tantos apreciadores da costa marítima, foi deveras maravilhoso.
Esta costa onde vou sempre que possível, está cheia de arribas e  de reentrâncias nas arribas onde o mar bate e entra, mostrando como é poderoso.
Começamos a ver, ao longe, o início da formação da onda, que é azul, depois o seu crescimento em altura e força até ficar uma enorme massa de água verde esmeralda, com a crista branca de espuma que salta, como um atleta de salto em altura, antes de começar a correr, desenfreado, para o salto.
Então esta massa enorme de água atira-se contra a falésia, com fúria desmedida, para depois se transformar  - tal como o fogo-de-artifício - num espectáculo de  "água-de-artifício" mais belo que aquele, mais próximo de nós, mais palpável, mas também mais perigoso.
No desenrolar deste movimento visual, temos o acompanhamento do som da água durante todo o percurso da formação da onda que, tal como uma sinfonia, começa num marulhar, aumenta a pouco e pouco, "en crescendo", até ao desempenho final, como um bombo em delírio.
Se tivermos a sorte de juntar a esta visão o bailado deslumbrante de miríades de luzes na superfície da água, devido aos raios do sol na sua curva já descendende, então podemos gabar-nos de termos assistido à apoteose da natureza no seu máximo.
Sei que há quem diga que se sentiria "pequenino" perante este espectáculo, mas eu, confesso, não me sinto pequena  mas "grande", pois sinto que faço parte desta natureza e tenho o privilégio de a poder observar, sentir e fruir.
Por tudo isso, "sinto-me importante".