domingo, 30 de abril de 2017

O Fim Do Mundo

                       Bandarra                                                                               
                                                                                                           Nostradamus                                         
                                                                                                                               
Há já alguns meses a esta parte que me chegam notificações sobre o fim do mundo.
Há arautos por todo o lado: adivinhos, visionários, pessoas da ciência e até referências a um santo da igreja, S. Malaquias, falecido em 1148, o qual, supostamente, deixou uma lista com previsões de vários acontecimentos infelizes no Vaticano, ao longo dos séculos, e previu o fim da Igreja Católica e o fim do mundo para muito breve.
É uma obsessão da humanidade a previsão do seu fim.
Compreendo os propagandistas  pois gostam de se sentir "na ribalta" e ganharem popularidade, mas as pesssoas em geral, porquê este fascínio sempre que, ciclicamente, alguns "iluminados"  resolvem explorar os seus sentimentos e amedrontá-las? Prazer mórbido?
Ainda se lembram do que aconteceu na passagem do último milénio?
Toda a gente falava das previsões do adivinho português Bandarra, no séc. XVI, das adivinhações do francês Nostradamus, também no séc. XVI, e de todos os que diziam o que lhes vinha à cabeça!
Ricos e pobres acreditavam que o fim do milénio traria a devastação à terra e cada um, de acordo com a sua "bolsa", decidiu que na noite da passagem de 1999 para 2000, morreria mas "em grande"!
Gastou-se dinheiro em viagens, cruzeiros, hotéis, jantaradas, grandes bailes, ou simples patuscadas, "como se fuera la ultima vez", como se canta no Bolero Mexicano, mas valeu a pena!
Nisto estou de acordo!
Ninguém morreu, a terra continua como sempre, mas as pessoas divertiram-se a valer, pois fizeram-no de maneira desinibida e empenhada, confraternizando e amando ....








quarta-feira, 26 de abril de 2017

Chavões


Ontem, quando alguém dizia que já estava velha, uma companheira de conversa respondeu que ela não era velha, porque "velhos são os trapos", como se a palavra "velha" fosse ofensiva.
Quantas vezes já ouviram este chavão e outros mais? Aposto que várias vezes porque, hoje em dia, o significado real das palavras incomoda a sociedade.
As pessoas já não morrem, partem ...
Já não há velhos mas idosos ou, mais recentemente, só séniors.
Interessante que também a palavra "sénior" se aplique a várias idades, de acordo com a profissão de cada pessoa: atletas, jogadores etc., rapidamente ficam velhos. Então, quando "gastos" profissionalmente, como se chamam a seguir? Séniors de 2ª, 3ª ou velhos?
Também é engraçado que, a certa altura da vida, por motivos vários, o sénior comum começa a comportar-se como criança e então não sei como lhe devemos chamar: sénior acriançado, velhote, criancinha sénior?
 No entanto há situações ainda mais bizarras, quando o sentido exacto de determinadas palavras se altera de acordo com o sexo a que nos referimos.
Exemplo: uma mulher, a partir dos trinta anos, é uma quarentona ou cinquentona, todos termos bastante depreciativos; um homem, a partir dos trinta anos, é um trintão, quarentão ou cinquentão muito charmoso, mesmo que seja um traste!
A partir dos sessenta anos os homens continuam bem "acarinhados" e as mulheres começam a ganhar "deferência" e então passam a ser sexagenárias, septuagenárias, e octogenárias - que denominações lindas!
Aos noventa anos, as pessoas - homens e mulheres - podem ser nonagenárias mas é mais bonito dizer-se que a senhora ou senhor, tem já noventa - e um, dois ..... nove - anos.
Mas a excelência da idade é quando se atingem os cem anos! Então já não temos um sénior, mas um ser "precioso" - embora comece a ser cada vez mais comum - de que se deve falar e que dá direito a tempo de antena, sempre que possível, mesmo que não haja nada para dizer e que depois essa preciosidade passe ao esquecimento ...
Antigamente - há séculos? - falava-se dum velho ou velhote com carinho, mesmo quando se comportava como criança, e amava-se esse velhote, ouvia-se o que ele dizia, toda a família acompanhava a sua vida diária com amor e a palavra não era depreciativa ... e não eram só os trapos que eram velhos!
Ninguém tinha medo das palavras ...









quinta-feira, 13 de abril de 2017

Era Uma Vez ...




Era uma vez um rei sábio, bondoso, justo, que tinha um filho que muito amava. O filho vivia com a sua companheira em perfeita harmonia, passeando no grande jardim onde nada faltava, tanto para a sua subsistência como para a felicidade suprema do jovem casal.
Podiam andar por toda a parte, fazer o que lhes apetecia, sem nenhuma preocupação, mas havia um pequeno senão: não podiam aceder à árvore do jardim onde se encontrava reunida toda a ciência e sabedoria do reino, ou seriam castigados. (que provocação maldosa!)
O pai era categórico: tinham que se contentar com a sua ignorância ou seriam severamente castigados.
Escusado será dizer que a curiosidade era cada vez maior e o jovem casal não resistiu à tentação de descobrir as maravilhas que lhe eram negadas.
O pai, que tudo sabia, furibundo, castigou-os: expulsou-os deste paraíso e amaldiçoou-os a eles e aos seus descendentes, eternamente ...
 Durante milénios deambularam pela Terra, trabalhando arduamente, enfrentando todos os perigos possíveis e, ignorantes, sofrendo todo o tipo de exploração.
Um dia o rei (devido a um rebate de consciência?) resolveu enviar um outro filho, muito amado, (cuja existência era ignorada) para redimir esta descendência miserável e pecadora.




Mas este pai tão "bondoso e misericordioso" teve outra ideia contraditória e incompreensível: - para redimir a descendência pecadora, este outro filho "muito amado" tinha que morrer de forma atroz  e ignominiosa, numa cruz!
Esta é a história que, há dois mil anos, é contada à humanidade.
É isto que, desde o séc. IV, após o Concílio de Niceia, a Igreja Católica decidiu contar ao povo, como sendo a história de Deus e de Jesus Cristo, um Deus prepotente e implacável, que quer os filhos ignorantes e que, apesar de omnipresente, omnisciente, todo poderoso e fonte de amor - podendo directamente perdoar os seus filhos humanos - prefere massacrar e ultrajar o segundo filho.
Quem pode acreditar em tamanho absurdo?
Ou esta é a história das Igrejas que querem os povos ignorantes e embrutecidos para fazerem deles marionetes e melhor os explorarem?
Se Deus não quisesse que pensássemos, não tinha criado o cérebro maravilhoso com que nos presenteou!


                                                                          Cardeais


Obras de arte ..... mas efémeras!

      
Estes cortes espectaculares estão na "berra"! Só é pena o cabelo crescer ....  




quarta-feira, 5 de abril de 2017

O Carvoeiro Que Foi Rei


                                                    











Em todas as épocas e em todo o mundo as pessoas tentam melhorar a sua vida, qualquer que seja o seu estatuto social.
Há épocas mais propícias a aventuras e essas épocas são aquelas em que há grandes mudanças e mais possibilidades para os aventureiros.
Foi o que aconteceu, no séc. XVI, com Filipe de Brito de Nicote, carvoeiro lisboeta, quando as naus portuguesas sulcavam os oceanos até ao Japão.
Este homem, como milhares deles, não tendo nada a perder em Portugal, desafiando o destino, sem saber para onde ia, tentou a sua sorte, embarcando numa das caravelas que saíam regularmente de Lisboa para o Oriente mítico, o "fim do mundo"...
Depois de várias peripécias chegou à Birmânia, um imenso país do Sudeste da Ásia, actual Myanmar. Aí alistou-se como mercenário, combatendo a soldo de um dos vários reinos que se guerreavam entre si. Nicote e outro português mercenário seu amigo - Salvador Ribeiro de Sousa - conseguiram a vitória do rei pelo qual combatiam, derrotando os seus rivais.
 Pelo seu mérito, Filipe de Brito, também considerado um homem de grande capacidade de persuasão, conseguiu que o rei vencedor lhe atribuisse o controlo  do porto de Sirião, perto da foz do rio Pegu, por onde se fazia todo o comércio da região.
Para se assegurar de que tirava o maior proveito da situação, o nosso herói aí construiu um forte, à revelia do rei.
 Depois de mais guerras intestinas e da vitória do reino de Pegu, mais uma vez graças à acção de Filipe de Brito, o povo, agradecido, proclamou-o seu Rei.
Assim, a Coroa de Portugal ficou, oficialmente, na posse do reino de Pegu e o "nosso" carvoeiro foi Rei durante 14 anos.