terça-feira, 20 de outubro de 2015

Fábula e reflexões

















Quem não conhece as fábulas de La Fontaine?
Todos as conhecem, podem é não saber que foi este escritor francês que, ou as inventou, ou as adaptou de um escritor grego muito mais antigo, chamado Esopo.
Numa delas, "O Lobo e o Cão doméstico", o lobo chega à conclusão de que mais vale ter fome e ser livre do que ter a barriga cheia mas ser prisioneiro, à mercê do dono.
Porquê todo este arrazoado?  Porque fui ao jardim zoológico de Lisboa e perante todos os animais residentes, uns em locais mais ou menos espaçosos e outros em jaulas, também mais ou menos espaçosas, senti a sua infelicidade, a sua frustração e impotência para alterar esta situação.
Como posso ficar indiferente, especialmente, à situação dos animais ditos selvagens - leões, elefantes, tigres, etc - que estão limitados a uns meros metros quadrados para se moverem, quando no seu habitat natural andam quilómetros, diariamente?
Algumas amigas minhas que têm animais de "estimação" não compreendem o meus desacordo com a moda dos animais de estimação, porque considero que quem estima os animais não os fecha em casa, na maioria das vezes em andares, num espaço reduzido, que é precisamente o contrário das suas naturezas. Estão quase sempre sozinhos durante o dia, tendo como único privilégio meia hora de exercício físico na rua,  sem direito ao contacto livre com os animais da sua espécie, sem direito às andanças e necessidades fisiológicas para que foram concebidos.
Pensando em tudo isto, vim para casa com um sentimento de frustração que não me largava e não consegui deixar de fazer um paralelo entre os animais e nós humanos. Pus-me a imaginar se, por acaso, num futuro próximo ou longínquo, nos fosse imposto um "jardim zoológico humano",  (já há livros e filmes de ficção que abordam este tema) como reagiríamos?
Será que nos adaptaríamos à nossa condição de "animais de estimação" ou de "animais a preservar da extinção", tal como fazemos com os animais e, pior ainda,  achamos que estamos cheios de razão?
Nem quero pensar a sério nesta suposição. Por enquanto eu posso estar tranquila, mas os meus descendentes? E toda a humanidade futura?
Não sorriam, reflitam!










quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Sonhos



A época balnear já acabou, as praias estão praticamente desertas e o calor deu lugar às temperaturas amenas do Outono.
Com um sol radioso e estas condições perfeitas, eu não poderia deixar de aproveitar um passeio à beira-mar e de, mais uma vez, me sentir dona de uma praia inteira, pois estava deserta.
Esta praia é pequena e fica encravada entre falésias. Aqui o vento é quase nulo e, portanto, instalei-me como se estivesse numa esplanada. Como não tinha horários a cumprir, sentei-me numa extremidade da praia, encostada a uma rocha, a ouvir o som das ondas que me relaxam e me acalmam, preenchendo o tempo entre a observação do que me rodeava e a leitura dum livro que levei.
Neste estado de calma e bem-estar, ao olhar mais uma vez para a rebentação das ondas, na extremidade oposta da praia vi um vulto a sair da água e zás ... a minha imaginação disparou.
Um vulto com um tridente na mão? Só pode ser Neptuno, o deus do mar! As ondas estão mais revoltas e a espuma mais branca? Só podem ser os cavalos do carro deste deus marinho que estão a saltar para a areia!
O meu devaneio já ia a galope!
 Mas todos os sonhos têm um fim. Este não durou muito. Só durou o tempo que o vulto levou a sair da água e ...... adeus ilusão!
O Neptuno era apenas um pescador-mergulhador, com o fato próprio desta tarefa e que empunhava o seu bastão de caçar peixes.
A desilusão foi grande mas reconheço que o pescador  desconhecido, sem o saber, foi o personagem principal de um sonho acordado, louco e curto - mas belo - e por isso lhe estou muito grata.
Os sonhos não são reais mas, se são bons, deixam-nos felizes!












quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Luta De Direitos?

















Há dias, num dos meus passeios pela zona ribatejana, em plena lezíria, deparei-me com um acontecimento que, possivelmente, não chamaria a atenção de quem lá passasse, mas que a mim me despertou a imaginação.
De facto é uma imagem banal vermos, naquele sítio, as "chocas" que, como todos sabem, são as vacas que, nas arenas de tauromaquia, têm como missão tirar e levar para o "curro" os touros que acabaram de ser lidados, para deleite dos aficcionados da arte tauromáquica.
Ora, como dizia, olhei para a lazíria e vi um ajuntamento de "chocas", mais numeroso do que o habitual, enquanto os touros andavam a pastar mais ao longe, na sua importância de machos destemidos e muito apreciados.
Então, de repente, veio-me à cabeça uma ideia meio louca.
Se elas não estavam a pastar, mas juntinhas, como numa reunião, quem sabe se estariam em conferência!
Com a modernidade de todas as raças, talvez as "chocas" estivessem reunidas para discutirem e protestarem contra as suas condições de trabalho, o perigo que enfrentam nas arenas, quando os touros, encolerizados devido às bandarilhas que lhes espetam no cachaço e frustrados por não terem conseguido "colher" o cavalo ou o "capinha", descarregam nas pobres "chocas" as marradas que não deram aos seus inimigos.
Se não estiver errada e se estavam a fazer uma manifastação de protesto, têm toda a minha admiração, porque é sempre o género feminino que sofre o embate das frustrações masculinas.
Urra à luta pelos direitos dos animais!