Sou uma sonhadora pois sonho que, comigo, possam ganhar asas e porem a vossa imaginação a voar
quarta-feira, 26 de abril de 2017
Chavões
Ontem, quando alguém dizia que já estava velha, uma companheira de conversa respondeu que ela não era velha, porque "velhos são os trapos", como se a palavra "velha" fosse ofensiva.
Quantas vezes já ouviram este chavão e outros mais? Aposto que várias vezes porque, hoje em dia, o significado real das palavras incomoda a sociedade.
As pessoas já não morrem, partem ...
Já não há velhos mas idosos ou, mais recentemente, só séniors.
Interessante que também a palavra "sénior" se aplique a várias idades, de acordo com a profissão de cada pessoa: atletas, jogadores etc., rapidamente ficam velhos. Então, quando "gastos" profissionalmente, como se chamam a seguir? Séniors de 2ª, 3ª ou velhos?
Também é engraçado que, a certa altura da vida, por motivos vários, o sénior comum começa a comportar-se como criança e então não sei como lhe devemos chamar: sénior acriançado, velhote, criancinha sénior?
No entanto há situações ainda mais bizarras, quando o sentido exacto de determinadas palavras se altera de acordo com o sexo a que nos referimos.
Exemplo: uma mulher, a partir dos trinta anos, é uma quarentona ou cinquentona, todos termos bastante depreciativos; um homem, a partir dos trinta anos, é um trintão, quarentão ou cinquentão muito charmoso, mesmo que seja um traste!
A partir dos sessenta anos os homens continuam bem "acarinhados" e as mulheres começam a ganhar "deferência" e então passam a ser sexagenárias, septuagenárias, e octogenárias - que denominações lindas!
Aos noventa anos, as pessoas - homens e mulheres - podem ser nonagenárias mas é mais bonito dizer-se que a senhora ou senhor, tem já noventa - e um, dois ..... nove - anos.
Mas a excelência da idade é quando se atingem os cem anos! Então já não temos um sénior, mas um ser "precioso" - embora comece a ser cada vez mais comum - de que se deve falar e que dá direito a tempo de antena, sempre que possível, mesmo que não haja nada para dizer e que depois essa preciosidade passe ao esquecimento ...
Antigamente - há séculos? - falava-se dum velho ou velhote com carinho, mesmo quando se comportava como criança, e amava-se esse velhote, ouvia-se o que ele dizia, toda a família acompanhava a sua vida diária com amor e a palavra não era depreciativa ... e não eram só os trapos que eram velhos!
Ninguém tinha medo das palavras ...
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