(Pormenor)

A Capela Sistina, no Vaticano, é conhecida pelo seu tecto, onde se pode contemplar a Criação do Mundo considerada, desde sempre, a obra-prima de Miguel Ângelo, pois deslumbra todos os que a contemplam.
No entanto, também na Capela Sistina, por cima do altar, há uma outra pintura de Miguel Ângelo, menos conhecida, que foi pintada posteriormente à Criação do Mundo.
Também ela uma obra-prima, representa o Juízo Final.
O papa Paulo III pediu a Miguel Ângelo que pintasse uma cena do Juízo Final, com a intenção de restaurar a dignidade da Igreja Católica e a autoridade apostólica, então em crise, pois estavam a ser contestadas em toda a Europa, após o ataque a Roma em 1527. A cidade fora invadida e saqueada durante 4 meses - a maior razia perpretada ao longo da sua história - devido à invasão do exército do imperador Carlos V, de Espanha, cristão devoto e defensor da fé - o que teria acontecido se não fosse!
O Papa na altura desta invasão, Clemente VII, teve que fugir e esconder-se para não ser preso, juntamente com toda a cúria.
A cristandade ficara sem Igreja Católica, que era a Igreja de Roma.
Ora esta representação do fim do mundo e juízo final, anunciados pelos profetas, teve o efeito desejado pelo papa recém-eleito, mas também um efeito surpreendente, tanto quando foi pintada e, parece, continua a tê-lo nos dias de hoje.
Porquê?
Porque, dizem os especialistas na matéria, quem a contempla tem uma de duas reacções: ou a ama de imediato ou a detesta, também de imediato.
As cenas do "fresco" são tão vívidas e tão horrendas que quem as olha sente-se mal, por ver ali representados todos os pecados do mundo, o derradeiro tumulto da humanidade caótica, todos os castigos que as almas sofrem e todos os horrores pelos erros cometidos. A contemplação destas cenas causam arrepios a quem as contempla!
Aqui cada homem sente o que lhe acontecerá depois da morte e isso horroriza qualquer mortal!
Para Miguel Ângelo, um crente sincero e temente a Deus, o inferno não era uma abstracção. Ele acreditava que os castigos pelos pecados da humanidade eram punidos com o inferno.
A sua pintura reflecte esses sentimentos e esses receios.
Vasari - outro pintor da mesma época - fascinado com esta obra, refere:
"quando o inquietante fresco foi apresentado, no Dia de Natal de 1541, o Papa Paulo III ajoelhou-se e chorou, perante o pavor que nos espera a todos".
Miguel Ângelo:
escultor, pintor, arquitecto e poeta


Sem comentários :
Enviar um comentário