terça-feira, 7 de julho de 2015

Pegasus e Eu





Sempre gostei de conduzir na marginal de Lisboa até Cascais, principalmente num final de tarde  de primavera ou de verão, mas sem bichas - ainda uso os termos antigos - embora a maior parte das vezes, só vá até Carcavelos.
Dá-me imenso prazer conduzir sem pressas, com a janela do carro toda aberta para poder sentir o ventinho saboroso que faz esvoaçar os meus cabelos, mas que é muito revigorante.
Escusado será dizer que, para este passeio ser ideal, o sol já deverá estar perto da linha do horizonte porque é nessa altura que os raios solares, incidindo na água, a fazem brilhar como prata.
Imaginem o Tejo como um enorme lençol de prata e, se a brisa for um bocadinho mais forte, esse lençol  fica todo "martelado", como algumas peças desse metal precioso.
Quando o sol já está quase a "mergulhar na água" e o meu olhar começa a distinguir perfeitamente os vários raios de sol que se ligam à água, como enormes fios de ouro, então a paisagem fica surreal.
É nessa altura que eu sinto uma frustração enorme por não poder agarrar um desses raios que me convidam a agarrá-los, como agarramos o cordel de um papagaio de papel, e ir fazer toda a viagem que o "astro rei" faz à volta da terra e ver todas as paisagens e gentes que ele alumia.



 Tal como todos o que estão a ler este texto, sei que é um impulso "delirante", mas só porque já não vivemos nos tempos mitológicos, quando havia aquele cavalo branco com asas, chamado Pegasus, que transportava através dos céus os heróis  antigos nas suas maravilhosas aventuras, também elas impensáveis.
Sei que não sou uma heroína, mas continuo a ser uma sonhadora incurável.

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