
Sempre que resolvo procurar algo na internet acabo por me dispersar, pois encontro sempre algo interessante que não posso ignorar.
Hoje, como sempre, deparei-me com um artigo do jornal "Público" imprescindível de ler, pois alertou-me para factos que eu desconhecia.
Foi esta leitura e esta chamada de atenção que fizeram despertar em mim a lembrança de alguns acontecimentos decorrentes do 25 de Abril, da Revolução Democrática.
São factos a que não damos importância por serem tão comuns e tão do dia-a-dia, mas que, quando somos alertados, nos fazem pensar.
Todos nós conhecemos as "lojas dos chineses" que, pouco depois da revolução, começaram a proliferar por todo o país, e todos nós também sabemos que essas lojas vendiam de tudo a preços muito mais baixos do que o comércio em geral, pois tinham privilégios especiais em matéria de impostos.
Também todos nos habituámos, durante décadas, ao sorriso do povo chinês e ao seu "obligado", apesar de não podermos esclarecer uma única dúvida que surgisse, porque não falavam nem sequer entendiam o português - era como uma bolha social e comercial dentro da nossa sociedade e comércio .
Numa segunda fase, habituámo-nos a ver nessas lojas uma empregada portuguesa, para esclarecer as nossas dúvidas, mas o povo chinês continuava a não mostrar qualquer interesse em aprender a língua de quem lhe abrira as portas e o acolhera.
Hoje-em-dia já encontramos descendentes chineses a falarem português, o que "já não era sem tempo"!
Ora, todas estas considerações foram despertadas pelo tal artigo que mencionei no início, pois chama a atenção para um facto que eu, e possivelmente muitíssimas pessoas como eu, desconhecíamos: não só o impacto da economia chinesa, a grande escala, na economia portuguesa, mas sobretudo - e é esta a grande questão - a pretensão do governo chinês em interferir e, consequentemente, manobrar a política de ensino e cultura nas escolas portuguesas.
Claro que toda esta manobra é tratada no interior dos ministérios, à porta fechada, com a conivência dos representantes mais altos do governo, que se esqueceram do país democrático e, à moda antiga ditatorial, não querem saber do que os cidadãos portugueses pensam e desejam.
É esta a questão que desconhecemos mas com a qual, de um dia para o outro e já tarde, nos podemos deparar e que afectará a nossa cultura, que é uma das mais ANTIGAS DA EUROPA, porque a generalidade da população de nada é informada.
Se os governantes não puserem travão àquelas pretensões, a cultura chinesa acabará por absorver a nossa cultura e, quem sabe, se não acabaremos todos por ter de relegar o Português para passarmos a falar mandarim!

Sem comentários :
Enviar um comentário