Hoje estive a ler um romance de um escritor portuguêsdo século XIX, muito conceituado, merecidamente - se não fosse português teria sido conhecido internacionalmente - cujo enredo se passa em África, também no século XIX.
Por razões decorrentes da narrativa, três europeus acabam por chegar ao território do povo zulu.
Levavam na sua bagagem armas de fogo e os conhecimentos científicos da época.
Também devido às peripécias que sempre acontecem e dão emoção aos acontecimentos, os nossos heróis, por necessidade, tiveram que fazer uma demonstração de força, usando uma arma de fogo, a qual matou uma vaca que pastava à distância.
Os zulus ficaram surpreendidos com a morte do animal devido àqueles apetrechos desconhecidos e mágicos e completamente aterrados com o barulho do "trovão" e do "raio de luz" que tinha saído daquele tubo - a espingarda.
Tal façanha só podia ser obra dos espíritos celestes, portanto esses "brancos" eram deuses.
Entretanto, por coincidência, houve um eclipse total do sol. Claro que, para fortalecerem a sua posição junto dos autóctones, os brancos aproveitaram o acontecimento para dizer que tinham sido eles a "matar" o sol, o qual só voltaria a brilhar se as suas pretensões fossem atendidas.
Enquanto lia, ia-me lembrando de acontecimentos praticamente iguais com outros povos , tanto de África como das Américas, no período dos Descobrimentos e nos séculos seguintes, em que os indígenas acreditaram que eram deuses os povos europeus que lá desembarcaram.
Mas o meu pensamento recuou ainda mais, recuou aos primeiros tempos da humanidade, tempos em que, segundo fontes escritas e mediáticas, o Homem, supersticioso, ignorante e ingénuo, acreditou que os acontecimentos que não entendia eram obra de mágicos e de deuses.
Daí, a proliferação de deuses e de religiões.
O mais curioso é que estes mesmos comportamentos não se alterarem significativamente desde essas épocas remotas até aos nossos dias.
Daí, a proliferação de deuses e de religiões.
O mais curioso é que estes mesmos comportamentos não se alterarem significativamente desde essas épocas remotas até aos nossos dias.

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