Sou uma sonhadora pois sonho que, comigo, possam ganhar asas e porem a vossa imaginação a voar
terça-feira, 16 de junho de 2015
A Desavença Dos Dedos
Não sei como descrever esta desavença nem mesmo se o devo fazer mas, por ser tão irritante e contínua, vou desabafar.
Sou uma mão com cinco dedos, como qualquer outra mão, mas tenho um grande problema, os meus cinco dedos não se entendem. Levam a vida a discutir e a lamentar-se. Cada um deles pensa que faz mais do que os outros.
Todas as mãos sabem que o trabalho dos dedos só é eficaz se for feito em equipa e que, se algum resolver amuar, nada resulta.
Um deles, o Anelar, sofreu uma pequena lesão e agora não se dobra bem e tem menos força. Ora o Médio não entende isso e resmunga o tempo todo quando tem que fazer um pouco mais de força, ou quando há um saco mais pesado para segurar.
Ainda mais, por ciúmes, os irmãos chamam-lhe vaidoso por ser ele o único que usa a aliança de casamento.
Como são novos, não sabem que, devido às mudanças da moda, talvez um dia chegue a vez deles.
Bem sei que o Médio também tem problemas de vez em quando. Quando há mudança de tempo, se fica dobrado devido a um esforço, não consegue endireitar-se sem a ajuda dos primos da outra mão.
Como é o maior, nenhum deles compreende esta dificuldade e acham que este tem obrigação de se esforçar mais que todos .
Só para criticarem é que há união entre eles e não perdem a oportunidade de gozarem com o Mínimo, por ser pequeno e não ter força, sem se lembrarem que, mesmo pequeno, faz o que pode, e que, sem a sua ajuda, não podiam segurar bem as coisas, além de ele ser também um suporte para o grupo.
Do dedo Polegar nem se fala! Chamam-lhe gordo, comilão e preguiçoso, e o que mais os enfurece é ele nunca estar ao lado deles. Dizem-lhe que está sempre atrás por ser gordo e pesado. Esquecem-se que para agarrarem bem as coisas e fazerem muita força, precisam da sua cooperação preciosa, porque a posição à rectaguarda é a mais vantajosa.
O Indicador, coitado, é um mártir porque, na opinião de todos, só serve para apontar e, dizem, a maior parte das vezes, quando não deve. O pobre leva a vida indeciso, sem saber se deve ou não actuar.
Por mais que lhes chame a atenção para a contribuição necessária de cada um e do trabalho de grupo, não há maneira de os convencer. Continuam teimando uns com os outros, dia após dia.
Conhecem estas cenas não é verdade?
Bem, desabafei e sinto-me mais calma, mas não deixo de pensar naquele ditado muito sábio e muito antigo "Casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão" .
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