Há dias, vi na televisão um programa muito interessante sobre a migração das aves que, em Março, se deslocam de África para a Europa para nidificarem.
Mas este programa mostra-nos o percurso das aves numa perspectiva diferente do habitual - acompanhamo-las à mesma altitude a que se deslocam e o espectáculo é soberbo.
De entre os vário grupos apreciei, especialmente, o percurso dos grous e, sobretudo, o ritual que se segue à chegado ao destino. Quando os machos e as suas fêmeas se encontram, ao fim dos vários meses de separação, encetam uma verdadeira dança de regozijo por entarem finalmente juntos.
Mas nos grupos de grous que lá chegam há sempre os que ainda são jovens e nunca tiveram parceira. Arranjar uma, que será para toda a vida, exige um esforço tremendo pois o macho, para agradar à sua futura companheira, tem que mostrar as suas capacidades de bom progenitor.Começa por saltar na vertical, de asas abertas, o mais alto que puder, para chamar a atenção de uma fêmea e, se for bem sucedido e ela lhe der atenção, o pretendente começa a dançar e a balouçar-se no ar no que depois será acompanhado pela futura parceira de vida.
Claro que, num ambiente de felicidade tão contagiante, os outros pares de grous começam também a dançar.
Imaginem o espectáculo, visto dum nível superior!
O mais interessante de tudo isto é que, entretanto, o par "apaixonado" sai do recinto de dança à procura do seu novo lar, enquanto todos os outros grous continuam a dançar e a exibir as suas habilidades.
E neste ambiente festivo que visualisei eu?
Como não podia deixar de ser, "vi" naquele espectáculo o mesmo que acontece nos bailes de casamento a que todos já assistimos. Os convidados divertem-se a dançar, todos estão felizes, mas a meio da festa os noivos saiem para a sua lua-de-mel, enquanto todos os outros continuam a dançar e a divertir-se.
Que comportamentos tão semelhantes...
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