Hoje o dia está cinzento, uniforme, impossível.
Não gosto destes dias. Fico sem acção para fazer nada, ou seja, só me apetece estar quieta, enroscada, sem mexer um dedo e, claro, se o corpo não se quer mexer, o cérebro dá rédea solta à imaginação e nunca mais pára.
Sem saber porquê, veio-me à memória um quadro célebre do paraíso terrestre, onde podemos admirar Adão e Eva a serem escorraçados do Éden por um arcanjo de Deus, por terem colhido uma maçã da árvore da sabedoria. Eles sabiam que podiam usufruir de tudo o que existia no paraíso menos tocar naquela árvore. Nada lhes faltava e eram felizes, porque é isso que acontece nos paraísos, tudo é felicidade. Mas a curiosidade foi demasiado grande e desobedeceram, cometendo o pecado original e, por isso, foram expulsos.
Como uma centelha o meu pensamento "disparou" e eu "vi" um segundo paraíso, aqui em Portugal, onde os cidadãos também cometeram um grande pecado, o pecado de quererem viver com dignidade e algum conforto, embora já prescindam de uma grande educação científica, não por terem uma vida de ócio, pois trabalharam e trabalham para viverem mas onde, também por causa de "arcanjos justiceiros", quem tem mérito científico se vê obrigado a emigrar e quem trabalhou ou ainda trabalha e não pode emigrar, se vê obrigado a ficar, na pobreza e sem dignidade.
Só gostaria de saber se algum pintor, mesmo que não seja muito famoso, se lembrará de pintar um quadro deste segundo paraíso terrestre e de todos os expulsos e desamparados.
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