Os vigilantes dos países
Este verso do poema de Sebastião da Gama, nunca me soou tão bem como hoje!
Somos pobres, atrasados, segundo os padrões industriais e tecnológicos mundiais, mas ainda temos um país por onde todos podemos circular à vontade e sossegados, fazendo o que queremos, até disparates, darmos opiniões sem consequências, infringirmos regras de conduta e … de trânsito, sem problemas de maior.
Somos uns sortudos!
Pensarão que não somos os únicos a termos ainda esta liberdade, mas a verdade é que somos quase únicos, especialmente na Europa. Temos alguma vigilância em Lisboa e talvez no Porto, mas praticamente nenhuma no resto do país.
Todas as grandes cidades da Europa têm sistemas de vigilância espalhadas por todo o lado. Os cidadãos estão a ser constantemente vigiados e essa vigilância acarreta consequências.
Imaginem não podermos fazer nada sem que os serviços de vigilância saibam e actuem!
Mas esta vigilância permanente não se circunscreve às vias públicas, o mesmo acontece nos estabelecimentos e nos serviços públicos.
Mas o que mais me impressionou foi saber que esta vigilância constante por parte de alguns países se tornou de tal maneira eficaz, que os cidadãos se tornaram autênticos escravos.
Na China há milhares de milhões de câmaras espalhadas por todo o lado e o sistema é tão sofisticado que até consegue saber a identidade de um vulto pelo seu modo de andar, saber onde está qualquer pessoa a qualquer momento e até o que está a fazer, mesmo em casa, devido à ligação dos telemóveis às redes sociais.
E mais, as pessoas são avaliados pelos seus actos, com pontos, num total de 100, e pelo seu comportamento podem ser punidas ou premiadas, perdendo ou ganhando pontos. As perdas vão sendo somadas e podem mesmo tirar todas as regalias aos cidadãos, tornando-os párias.
Para termos ideia da situação a que levou a espionagem informática, um dos exemplos citados a que achei piada, por ser inesperada, é a seguinte: se um cãozinho fizer cócó na rua e o dono não o apanhar, como as câmaras registam tudo, este é punido com perda de 5 pontos.
Quem se atreve a prevaricar, com esta escravatura comportamental!
Eu pensei de imediato na quase totalidade de portugueses que têm cães, mas que não apanham os cócós e os deixam para serem pisados e levados para casa pelos passantes mais descuidados!
Com este sistema, em 20 dias a maioria dos portugueses chegaria aos 100 pontos negativos e tornar-se-ia pária...
Somos ou não somos uns sortudos?
Pensando bem, "sermos atrasados" até é uma bênção, ah, ah, ah!



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