terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A Paixão Pascal






Há anos que várias localidades do país promovem os seus desfiles carnavalesco com o intuito de promoverem, não só as próprias localidades mas, principalmente, os vários ramos do comércio local.
Mais raro é a promoção da procissão do Senhor dos Passos.
A mais conhecida, desde sempre, é a procissão da paixão de Cristo de Sevilha, essa de um requinte macabro, segundo testemunhas oculares.
Porquê esta dissertação?
Porque ontem vi, à entrada de uma localidade próxima, um grande cartaz a promover a referida procissão da Paixão.
Só hoje se festeja o dia mais importante do Carnaval - a Terça Feira - e, um mês e meio antes,  já se faz propaganda do acontecimento mais carismático e triste da igreja católica!
O que faz a sociedade de consumo!
Para mostrar o que senti de negativo ao ver, neste cartaz, o seu intuito explorador, deixo aqui um poema do nosso grande e inconformado  poeta GUERRA JUNQUEIRO que, melhor do que eu, define e condena atitudes como esta!


PARASITAS

No meio de uma feira, uns poucos de palhaços
Andavam a mostrar, em cima de um jumento
Um aborto infeliz, sem maõs, sem pés, sem braços,
Aborto que lhes dava um grande rendimento.

Os magros histriões, hipócritas, devassos,
Exploravam assim a flor do sentimento,
E o monstro arregalava os grandes olhos baços,
Uns olhos sem calor e sem entendimento.

E toda a gente deu esmola aos tais ciganos:
Deram esmola até mendigos quase nus.
E eu, ao ver este quadro, apóstolos romanos,

Eu  lembrei-me de vós, funânbulos da Cruz,
Que andais pelo universo há mil e tantos anos
Exibindo, explorando o corpo de Jesus.


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