Recebi uma notificação apelando ajuda aos apicultores do nordeste português, devido à falta de comida das abelhas. Pedem açúcar para substituir o pólen das flores e respectiva vegetação devastadas pelos fogos recentes.
Muitas abelhas morreram devido aos incêndios e as que restam não têm comida.
Vi muitos comentários a esta notitificação e a maior parte das pessoas aderiu ao pedido, de imediato.
No entanto, havia dois comentários que censuravam este pedido de ajuda.
Um deles, o mais esclarecedor, era de uma enfermeira do hospital Egas Moniz que dizia também ser apicultora e lamentava a atitude destes apicultores que aproveitavam a oportunidade para obterem mais lucro. Dizia que, com os lucros desta actividade, podiam perfeitamente comprar comida artificial que é barata - l lt custa 1 euro - e dizia que lhes podia enviar o nome dos fornecedores daquela região.
Dizia também que os apicultores têm um seguro muiro barato que inclui incêndios e cobre os prejuízos.
Chamava-lhes vigaristas e oportunistas.
Eu, mais uma vez, fiquei com a mesma sensação que fico sempre que leio ou ouço notícias que me intrigam: umas rejeito-as de imediato por não terem sentido, outras deixam-me na dúvida.
Como conheço um pouco o género humano devido à experiência de vida; como sei que, infelizmente, o nosso povo, seja qual for a sua classe social, é aproveitador e gosta de "passar a perna" ao seu semelhante e ainda se gaba disso - como se fosse um grande feito - fiquei triste por não saber em quem acreditar.
Muitas vezes não ajudamos mais por desconfiarmos da verdadeira necessidade das pessoas.
Como já fui enganada algumas vezes, sem pudor, acabo por ficar indiferente.
Como saber quem realmente precisa?
De quem é a culpa desta "anestesia" social?

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