Sou uma sonhadora pois sonho que, comigo, possam ganhar asas e porem a vossa imaginação a voar
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
A Primeira Mentira Da Humanidade
Há muito, muito tempo, num tempo tão remoto que não se sabe se é mitológico ou real, a humanidade não conhecia a mentira. Todos diziam a verdade, mesmo que fosse desagradável.
Ninguém se coibia de dizer o que achava bom ou mau, feio ou bonito, agradável ou desagradável, quer fosse de cariz físico, intelectual ou social.
De facto, nessa sociedade remotíssima, não havia a noção de verdade por não haver mentira: uma excluía a outra.
Como todos falavam verdade não havia castigos nem prémios. Todos sabiam que depois da morte deixavam de existir. Acabava-se tudo. Era o "Nada Absoluto"!
Tão simples quanto isto!
Um dia, um jovem por todos considerado feio, gordo, mal sucedido na vida e desprezado, teve conhecimento de que a mãe, doente, estava às portas da morte.
Quando chegou junto dela, a mãe confessou-lhe que tinha medo de morrer; estava apavorada devido ao "nada absoluto" depois da morte.
O filho, aflito com o pavor da mãe, afiançou-lhe que, depois da morte, as pessoas iam para um lugar maravilhoso e lá ficavam eternamente.
E "sem se aperceber do que fazia", à medida que a mãe ia perdendo o medo e sorrindo, ele ia dizendo que nesse outro lugar encontraria os entes queridos já falecidos e que todos lá viveriam, eternamente, numa grande mansão e muito felizes.
Só quando a mãe, feliz, deu o último suspiro, reparou nas pessoas que estavam perto e tinham ouvido tudo com ar de grande felicidade e querendo saber mais sobre esse lugar de que só ele tinha conhecimento, é que se apercebeu da dimensão de tudo o que tinha inventado - a Primeira Mentira!
Como ninguém sabia o que era uma mentita, acreditaram piamente no que ouviram e pensavam que ele conhecia o Homem que regia esse lugar maravilhoso para onde iriam depois de morrerem.
A notícia espalhou-se num ápice e todos queriam respostas para todas as perguntas de que se lembravam: se todos teriam mansões; se todos encontrariam os entes queridos; o que podiam on não fazer; quantas vezes podiam fazer algo que não deviam, sem perderem esse lugar paradisíaco; quem era esse Homem que mandava nesse lugar maravilhoso; por que havia coisas más e coisas boas; por que havia doenças e catrástrofes .... um nunca mais acabar de perguntas!
O problema é que, com mais perguntas, vinham mais mentiras.
O jovem nunca mais teve sossego. Começou com uma mentira piedosa .... e as mentiras aumentavam em escalada .... e as pessoas continuavam a creditar em tudo o que ele dizia.
A situação tornou-se incontrolável e irreversível, mas o jovem, de desprezado passou a ídolo, de quase indigente passou a riquíssimo.
Ele era o Único Mentiroso e, embora às vezes se perguntasse se o que estava a fazer era bom ou mau, se devia continuar a enganar os seus semelhantes ou não.... acabou por se acomodar e a enriquecer cada vez mais com a situação.
Apesar de enganadas, as pessoas continuavam a acreditar em tudo, sem pensarem, e sentiam-se bem!
O que é melhor:
A verdade ou a mentira piedosa?
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