

A história do povo português é muito eclética.
Ao longo dos séculos temos momentos de grandeza e glória, momentos de aventuras sem precedentes, momentos de riqueza e de poder e, nos intervalos, momentos de apatia, de loucura, de pobreza e de fraqueza e rendição perante os outros povos europeus.
Há como que uma repetição cíclica destes momentos de "vassalagem" perante os mais poderosos ...
Já perceberam que gosto muito de História e, portanto, leio tudo o que me chega à mão, quer seja de cariz histórico, oficial ou oficioso, quer seja de cariz lendário ou romanesco.
Mas é nesta miscelânea livresca que nos apercebemos daquilo que somos como povo, e dos altos e baixos que atravessaram o nosso passado.
Parece-me que há momentos e atitudes em que os erros se repetem, como se fosse Karma!
Para não recuar muito no tempo, após o nosso grande momento de glória e aventura, os Descobrimentos, que nos levaram aos cinco continentes, houve um momento de grande penúria.
Em 1536, o rei D. João III, com o apoio da Igreja, resolveu tomar uma medida que, aparentemente, resolveria as dificuldades financeiras do reino, mas que se tornou desastrosa: perseguir os judeus - cristãos novos - que cá habitavam desde sempre, e apoderar-se das suas riquezas.
Estes fugiram para o Brasil e levaram o seu dinheiro. D. João viu, já tarde, que lhe tinha saído o tiro pela culatra.
Deu-se a 1ª grande migração de portugueses para o Brasil, os endinheirados cristãos-novos.
Em 1703, também devido à falta de dinheiro no tesouro do reino, o estado português viu-se obrigado a assinar, com Inglaterra, o Tratado de Methwen, que a enriqueceu e que acabou com a nossa incipiente indústrial textil, empobrecendo o povo ainda mais, além das finanças do reino.
Foi também nessa altura que o comércio do nosso vinho do Porto foi parar às mãos dos ingleses, até hoje...
Foi ainda nessa época que, em Trás-os-Montes, a indústria do bicho-da-seda e da manufactura de seda, veludo e outros tecidos menos nobres entrou em declínio, até à extinção. Mais uma vez a Inglaterra ganhou com a situação.
Nova vaga de imigração para o Brasil. Felizmente ainda havia o Brasil para receber os pobres que já não suportavam a miséria.
Após a implantação da República, que iria melhorar a economia do país, novo retrocesso devido às sucessivas disputas entre os partidos aspirantes ao Governo, com constantes atentados à bomba.
Miséria por todo o lado...
Mais pessoas tentaram a vida no Brasil e nas colónias portuguesas ...
Após a revolução do 25 de Abril, houve um "fogo-fátuo" de melhoria de vida, mas durou pouco tempo.
Num dos governos do PSD, cujo 1º ministro era o Professor Cavaco Silva, o Parlamento Europeu reduziu a área da nossa zona pesqueira, reduzindo as pescas e, como consequência, a indústria de conservas foi muito afectada.
Foi também nessa altura que as fábricas da SOREFAME na Amadora, os estaleiros de Viana do Castelo e da SETENAVE começaram a agonizar; foi também por "aconselhamento" europeu que se arrancaram oliveiras, a troco dum subsídio para plantios que nunca existiram, nem foram fiscalizados; incentivou-se a plantação de eucaliptos que encheram muitos bolsos, mas que têm feito do país uma fogueira infernal...
Estas medidas provocaram desemprego, pobreza e mais imigração, desta vez para os países da Europa.
O que virá a seguir? Já está na altura de um momento "Alto".
Faz parte do nosso Karma!

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