quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Tudo Se Sabe, Basta Procurar!


Retrato de D. João V 



Gosto de me debruçar sobre factos históricos. É através do passado que compreendemos o presente, pois os factos repetem-se, só os actores é que mudam.
Nunca compreendi como é que o povo português sempre foi um país pobre. Mesmo quando desfrutou de riquezas imensas vindas do Brasil, éramos considerados o povo mais pobre da Europa, embora o rei D. João V tudo fizesse para ostentar as riquezas fabulosas de que dispunha.
Como era isso possível? O que aconteceu às toneladas de ouro e às pedras preciosas que chegaram a Lisboa durante o seu reinado?
Houve alguns empreendimentos públicos - que decorámos na disciplina de História - mas que não explicam para onde foi toda aquela riqueza!
Só depois de deparar com alguns livros de pesquisa sobre a nossa última dinastia, compreendi onde é que aquele rei esbanjou toda a riqueza vinda do Brasil, deixando o país na miséria, sem indústria e sem comércio digno desse nome, a agricultura tal como era há centenas de anos, e o povo atrasado e ignorante.
Considerado um rei paranoicamente vaidoso, a sua grande preocupação era ostentar a sua riqueza e grandeza real, através de dádivas aos nobres e clero que o rodeavam e o sugavam, das somas fabulosas que pagava aos vários Papas - que sabiam da sua vaidade e necessidade de ostentar riqueza - a quem pedia benevolências e favores para obter prestígio junto da Santa Sé e ofuscar os outros reis europeus. A todos pagava e atendia com prodigalidade régia.
A sua necessidade de opulência e glória terrena eram tais que querendo igualar o brilho da corte do rei francês Luis XIV e do palácio de Versalhes, resolveu construir o palácio de Mafra - "num ermo árido, frio e húmido, onde ninguém da corte queria estar, nem os frades residentes que tiveram de sujeitar-se à vontade real!".
Tendo sido projectado como convento para os frades arrábicos, acabou por ser construído também o palácio adjacente, que se tornou um sorvedouro do ouro que continuamente chegava a Lisboa.
Mas para os cerca de 15.000 operários, e empreiteiros que trabalharam na construção, incluindo os donos das terrenos expropriados, os pagamentos eram sempre adiados.
Devido à fome, às más condições de alojamento e trabalho árduo - trabalhavam de dia e de noite - os trabalhadores morriam aos milhares. Para os substituírem, as autoridades do reino recrutavam, à força, todos os homens válidos que eram arrastados, a pé, pelas estradas, até Mafra. Para não fugirem eram atados uns aos outros com cordas e cadeias, como se fossem escravos. Os que fugiam da obra, quando eram apanhados, tinham que trabalhar 3 meses sem pagamento e os reincidentes eram açoitados e iam para as galés.
Segundo fontes fidedignas, em 1732, como havia 5 meses que os operários não recebiam pagamento, houve uma espécie de "greve geral", pois todos se recusavam a trabalhar e ameaçavam regressar às suas terras se não lhes pagassem. (Apercebi-me agora que estes operários inventaram a greve geral em Portugal! E esta!)
Este rei, o Magnânino, (só para a corte e clero) gostava de riqueza e de ostentação. Os  embaixadores estrangeiros chamavam-lhe o rei "do espectáculo".
E  assim, só neste palácio, se gastou uma fortuna "pornográfica"! (opinião de muitos estudiosos do seu reinado).
Os dois carrilhões - os maiores do seu tempo e dos tempos posteriores - que mandou vir do estrangeiro e que custaram uma fortuna "insultuosa " - ainda hoje continuam a ser um sorvedouro de dinheiro (desculpem-me os admiradores dos carrilhões), pois nos últimos 19 anos, estes já tiveram de ser escorados e afinados por duas vezes, o que significa uma manutenção periódica bastante onerosa.


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