É uma verdade inegável que nós, o povo português, há séculos que não participamos na governação do nosso país e continuamos a não o fazer.
Até agora, algumas contestações têm sido feitas junto do Parlamento, mas têm sido em relação a atitudes cívicas que, embora pertinentes, são Menores: os cães já podem entrar em restaurantes; multas para quem deita as betas dos cigarros para o chão; proibição de matar os touros, no recinto?, após as garraiadas etc.
Mas acção necessária, participação? NÃO.Até agora, algumas contestações têm sido feitas junto do Parlamento, mas têm sido em relação a atitudes cívicas que, embora pertinentes, são Menores: os cães já podem entrar em restaurantes; multas para quem deita as betas dos cigarros para o chão; proibição de matar os touros, no recinto?, após as garraiadas etc.
Desde 1997 que alguns sociólogos e historiadores portugueses chamam a atenção para o que se passa em Portugal e comentam que, apesar de toda a retórica revolucionária de igualitarismo após o 25 de Abril, Portugal continua a ser o país da Europa onde a distância entre ricos e pobres é maior. A Revolução dos Cravos não fechou o fosso entre governantes e governados, que existe há 8 séculos.
Os portugueses, acrescentam, sofrem de falhas que vêm de séculos de regimes totalitários, e que resulta em falta de iniciativa, de participação na vida colectiva e de uma longa tradição de passividade cívica.
Afirmam ainda que o Estado continua desatento a esta realidade e que os políticos ainda não perceberam que são os membros da sociedade em que o povo menos confia. Veja-se o resultado das várias Eleições!
O Estado faz parte do Problema português e NÃO da Solução, pois os partidos políticos e os seus membros centram-se cada vez mais na gestão dos seus próprios interesses e NÃO na melhoria das condições de vida das pessoas, tornando o exercício governativo numa Autocracia.
O resultado desta relação deficiente Estado/Povo provoca um clima de "compradio" generalizado, em que cada português tenta sobreviver e "subir" na empresa onde trabalha e na sociedade, não por mérito próprio, mas por "conhecimentos e pedidos" a amigos e a conhecidos dos amigos.
Um repórter alemão Hans Enzensberger, em 1987, escreveu:
"Os portugueses agarram-se à sua generosidade indolente e a virtudes utópicas que poderão ser um castigo pois, num mundo de progresso, isto é considerado pecado mortal".
E continua: "De que vivem estas pessoas? Ninguém grita, ninguém desata aos tiros, ninguém morre de fome. Perece um milagre, mas é um milagre Negativo".
Passados 30 anos sobre este artigo e de outros mais recentes, continuamos na mesma, se não …. PIOR!

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