sábado, 19 de janeiro de 2019

Aprendizagem Inconsciente


                                                                  As Tábuas da Lei


Quando aprendi a tabuada, aprendi-a como se fosse uma cantilena.
O mais interessante é que resultava mesmo, pois "cantada" a tabuada entrava no ouvido e, inconscientemente, a memória registava-a muito melhor. Quando passávamos à prática das contas e encalhávamos, como uma faísca, surgia o número de que precisávamos.
Isto também acontece quando memorizamos seja o que for, de forma automática, sem questionarmos o que aprendemos.
Mas um dia, sem motivo aparente, apercebemo-nos de que aquilo que aprendemos e nunca questinámos deixa de ter sentido e ficamos perplexos.
Perguntamo-nos: como é possível nunca ter reparado que isto é absurdo?        
Pois foi o que me aconteceu quando tinha 20 anos.                                                   Boi Ápis
Ensinava catequese na igreja da minha paróquia e, um dia, quando estava a ensinar, a um grupo de crianças, a passagem da bíblia em que Moisés, no Monte Sinai, recebe as Tábuas da Lei com os 10 Mandamentos, calei-me porque, nesse instante, percebi algo que me pareceu um paradoxo:
Se Deus criou o mundo e o homem em 6 dias, porque levou tanto tempo a gravar na pedra os 10 Mandamentos?
Ou foi Moisés - príncipe egípcio letrado - que durante todo esse tempo esteve a gravar leis básicas de comportamento?
Como a gravação foi feita na pedra com uma espécie de cunha - como todos os registos daquela época -  tornou-se muito morosa.
Segundo o Antigo Testamento, Moisés demorou tanto no cimo do Monte Sinai que o povo judeu, pensando que este o abandonara, teve tempo de esculpir um boi em ouro, para adoração, à semelhança do deus egípcio Ápis.
É escusado dizer que desisti de ensinar catequeses e comecei a ler tudo o que conseguia encontrar e me elucidasse sobre o Antigo Testamento e os Evangelhos.
Ainda hoje leio tudo o que encontro sobre o historial da Igreja Católica e das outras religiões ou filosofias místicas.



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