quarta-feira, 4 de maio de 2016

Papoilas

















Nas minhas andanças diárias passo por uma estrada bordejada por papoilas.
Acho as papoilas umas flores lindas, muito vistosas.
Embora simples, a sua cor vermelha sobressae na paisagem tornando-a mais bela, mais alegre.
Sempre que as vejo lembro-me de extensas searas de trigo pontilhadas de papoilas e sinto saudades do tempo em que o Baixo Alentejo era um mar de espigas de trigo - espigas inconfundíveis - agitadas pelo vento, e aquele mar ondulante, quer estivesse ainda verde ou já maduro e amarelo, ficava embelezado pelo vermelho das papoilas também elas balançando ao sabor da brisa.
Este mar vegetal foi desaparendo ao longo dos anos, dizem uns que por não haver quem queira trabalhar nos campos, dizem outros porque não vale a pena o trabalho que se tem para o pouco ganho que advém desse esforço, outros ainda porque outras culturas mais rentáveis substituiram as searas.
 Não sei qual a veracidade destas opiniões mas, há dias, tive que atravessar o Alentejo e ao passar nas imediações de Beja, a alguns quilómetros de distância, com grande  satisfação vi uma seara enorme.
Afinal parece que nem todos desistiram deste cereal que durante décadas e décadas foi semeado no "celeiro de Portugal", como o Alentejo era considerado, e que durante a Segunda Guerra Mundial matou a fome a milhares de pessoas dos países europeus onde não havia comida.


















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